Agamenon: Cinquenta Tons de Roxo

Todos os meus 17 leitores e meio (não esqueçam do anão, que é o meu maior fã, quer dizer, menor fã) estão cansados de saber que Isaura, a minha patroa, é uma criatura sedenta de sexo (e sebenta também). Dona de um insaciável apetite, Isaura, a minha patroa, tem uma vida sexual intensa: frequenta sites de pornografia, casas de swing, dá assistência aos surfistas de rua que não têm o que comer e ainda promove surubas de caridade. Mas desta vez a Isaura, minha patroa, foi longe demais!

Por ter feito recentemente 80 anos e chegado à menopausa, Isaura atravessa a famosa Idade da Onça (a Idade do Lobo das mulheres). A voraz criatura, além de sentir súbitos calores, resolveu votar na Dilma e agora foi assistir ao filme Cinquenta Tons de Cinza. Influenciada pela personagem Anastasia (dublê de balconista e ex-governador de Minas), Isaura botou na cabeça que quer porque quer me transformar no protagonista do romance, o bilionário Mr. Grey! Pra quem não viu o filme nem leu o livro, Mr. Grey é o príncipe encantado deste conto de f*#!!**odas, quer dizer, contos de fadas do Milênio, livro sueco escrito pelo iatista Stieg Lars Grael.

Lindo, tesão, bonito e gostosão, Mr. Grey é o sonho de consumo de toda mulher: é riquíssimo, tem helicóptero, jatinho, entende de vinhos e estudou avançadas técnicas sadomasoquistas no Mossad em Israel . Como vocês podem ver, existe um enorme fosso sociofinanceiro entre o erótico personagem do livro e a minha combalida pessoa. Eu estou mais pra Eike Batista, ex-bilionário falido. Só que no meu caso é pior porque nem ex-bilionário eu sou.

Infelizmente, quando as mulheres botam uma coisa na cabeça (seja ela um chapéu ou um chifre no marido) não tem quem segure! Influenciada pelos fluidos eróticos do filme, Isaura montou uma academia de sadomasoquismo no bagageiro da nossa residência, o Dodge Dart 73, enferrujado. A Isaura, minha patroa, comprou este torturódromo num leilão de equipamentos usados do DOI-CODI. As horripilantes ferramentas de tortura deixariam a Santa Inquisição e Torquemada parecendo uma ONG de defesa dos direitos humanos…

Enlouquecida pelas secreções corporais que respingaram da tela onde era exibido o filme pornô-erótico, Isaura a, minha patroa, logo que cheguei em casa, me colocou um par de algemas, me amarrou todo e começou a me espancar violentamente. Até aí, tudo bem. Eu já estava acostumado. Mas, em seguida, a incontrolável criatura me submeteu a mais uma terrível tortura: me obrigou a assistir a mais uma temporada do Big Brother Brasil. Mesmo eu, um homem que sofreu os mais cruéis martírios na ditadura militar (e na ditamole também), não suportei tamanha perversão.

Mas vejam até que ponto chegam os caminhos tortuosos e libidinosos de uma mente como a minha. E como a sua também. No meio de uma sessão de açoite, enquanto escutava um bate-boca entre o Bial e uma gostosa nua debaixo do edredom, uma estranha sensação de prazer libidinoso se apossou do meu corpo. Tomado pelo êxtase erótico, implorei à Isaura, minha patroa, pra me bater com mais força. Ao que a minha sádica cara-metade respondeu:

– Agamenon – gemeu Isaura – eu não sei por que estou te batendo, mas você também não sabe por que está apanhando!

Agamenon Mendes Pedreira é compulsivo sexual impotente.

http://www.casseta.com.br/agamenon/

Você não sabe por que está apanhando!

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