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Agamenon: O veio da van

Apesar de bilionário, o Veio da Havan é uma prova de que o dinheiro não pode comprar tudo: ele não tem cabelo, vergonha na cara e escrúpulos
Agamenon: O veio da van
Agamenon/O Antagonista

Enquanto idoso geriátrico e fundador da imprensa brasileira, ao lado de Hippolyto da Costa, Ruy Barbosa, Ziraldo e Ana Maria Braga, fiquei profundamente abalado com o depoimento do geronto-empresário Luciano Hunk, também conhecido como o Veio da Havan. Provecto e senil, Hulk foi convocado à CPIzza da Covid, uma espécie de Sessão da Tarde para telespectadores de idade idosa, na qual mostrou a todos que realmente não sabe se vestir.

Por ser portador de idade avantajada, Luciano Hunck conseguiu embarcar na CPI antes dos outros passageiro, provando que, além do terno verde-cloroquina, possui outras comorbidades.

O Brasil é um circo. O Brasil não tem população, tem elenco. São milhões de malabaristas, contorcionistas, desequilibristas, ilusionistas e palhaços —principalmente palhaços, o que não falta é palhaço. Por isso mesmo, e para a alegria dos palhaços, o circo continua pegando fogo: basta ver as queimadas na floresta. O Brasil é um imenso Cirque du Soleil com o apoio cultural do plano de saúde Provect Senior e da Havan.

Apesar de bilionário, o Veio da Havan é uma prova de que o dinheiro não pode comprar tudo: ele não tem cabelo, vergonha na cara e escrúpulos. Além do mais, o megaempresário megalomaníaco é um sujeito que não conhece limites para sua ambição desmedida: negociou pessoalmente o contrato de sua mãe, que se tornou idosa-propaganda da Pervert Senior, operadora de saúde e funerária.

Nós, os idosos, sofremos muito. Além do peso dos anos, o velho vive doente, só pode comer papinhas e não consegue mais ter nenhuma ereção, nem com a dose de reforço da Pfizer. O idoso, quando não está desempregado, está aposentado, o que dá no mesmo: nos dois casos, não ganha nada.

Para piorar a situação, velho também não consegue mexer no computador e se lembrar de senhas. Cai em todos os golpes digitais. Para se distrair, os velhinhos costumam assistir ao telejornal do Canal Viva e assim ficar por dentro das antiguidades. Os “veio”, quando têm grana e sorte, acabam seus dias numa casa de repouso, onde acabam falecendo por excesso de descanso.

Mas eu, Agamenon Mendes Pedreira, sou filho de Jorge, sou guerreiro e prefiro morrer de coisas menos emocionantes. Como, por exemplo, na cama com uma ex-Panicat casada depois de levar um tiro do marido, o Emilio Surita. Também posso morrer tendo um “troço”, um “piripaque” ou uma “ziquizira”. Só não quero falecer de alta da Prevent Senior.

Agamenon Mendes Pedreira é veterano da Guerra do Paraguai.

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