Agamenon: o velho anormal

Agamenon: o velho anormal

As pessoas estão loucas pra que tudo volte ao normal, mas que normal é esse que as pessoas querem? E desde quando o Brasil é normal? E por que é que o normal tem que ser novo? Não serve um normal seminovo, um seminovíssimo ou um usado em bom estado? E eu, Agamenon Mendes Pedreira, o único jornalista brasileiro que passou no teste do Carbono -14, não sirvo pra nada? Somente eu sou capaz de levar uma porrada na boca do presidente sem quebrar meus dentes, mesmo porque já sou banguela.

Aliás, aproveito a ocasião para perguntar: presidente, por que o Queiroz NÃO depositou 89 mil reais na conta da Isaura, a minha patroa?

Voltando à anormalidade. A pandemia da Covid-19 virou o mundo pelo avesso, começando pela quarentena e o isolamento social. Desde então o brasileiro padece de angústia, depressão e provação. Até aí nenhuma novidade, mas todo mundo quer saber quando é que vamos voltar ao normal.

Alguns historiadores garantem que a última vez que o Brasil foi normal foi quando elegeu o Collor de Mello presidente da República.

Caetano Velhoso já disse numa live que “de perto ninguém é normal”, mas o Brasil nem de longe consegue dar alguma impressão de normalidade. Aliás, se tivesse hospício para tratar de países, o Brasil já estava internado havia muito tempo.

O Brasil, pra ficar mais ou menos normal, tem que tomar choque elétrico na cabeça, litros de haldol e outros psicotrópicos “faixa preta”.

Já estão falando de um “novo normal”, mas que novo normal é esse se a gente não teve sequer um “velho normal” para querer voltar?

O problema é que o nosso povo ignorante, muito ligado em antigos costumes e tradições, está doido para volta a andar pela rua e ser assaltado, madrugar na fila do SUS, ser achacado pela polícia ou pela milícia, participar de uma chacina como vítima ou perpetrador, tanto faz. O brasileiro quer voltar a caminhar assustado pelas ruas com as suas equimoses, hematomas e escoriações generalizadas.

Quer cheirar cola, fumar bagulho, bater na mulher, encher a cara e dirigir, pagar “cervejinha” para o guarda, voltar a ser vítima de bala perdida, espancar travesti numa boa, xingar um afro-negão de crioulo, estacionar na vaga de paraplégico e chutar o estômago da velhinha que furou a fila, dar uma surra num índio e depois tacar fogo.

O brasileiro quer voltara a sair na porrada no estádio, comprar muamba falsificada no camelô, ultrapassar pelo acostamento, estuprar um “de menor”, fazer fila dupla na porta da escola, não dar recibo, fraudar uma concorrência, superfaturar um contrato, fazer xixi na rua, matar aula (em SP, é cabular) e colar na prova, comer pão com leite moça, andar de jet ski, curtir o sítio em Atibaia, falsificar carteira de estudante, desejar a mulher do próximo quando ele está distante (pelo menos 3 metros por conta da pandemia), arrumar uma vaga no STF…

Enfim, todas as práticas saudáveis e inzoneiras que tanto caracterizam a cultura e a civilização brasileira e nos fazem admirados no mundo inteiro.

Para os muito ansiosos, só resta esperar pela volta do Messias, o de verdade, aquele que veio ao mundo para nos salvar. Porque esse Messias de terceira categoria que está em Brasília só quer salvar a sua pele e de sua família.

Mas espera aí…

Bolsossauro fechou com Centrão, políticos e empresários desviaram grana da Saúde em plena pandemia, um veterinário vai cuidar das vacinas do povão, o governador do Rio de Janeiro é acusado de ladrão, até agora ninguém explicou por que a D. Michele recebeu 89 mil do Queiroz e a deputada evangélica é suspeitada de matar o marido, que era ex-filho, ex-genro e ex-padrasto dos seus ex-irmãos, na volta da ex-casa de suingue…

Quem é que disse que as coisas não voltaram ao normal no Brasil?

* Agamenon Mendes Pedreira é o velho anormal.

Leia mais: Combo O Antagonista+ e Crusoé: comece a ler por apenas R$ 1,90
Mais notícias
Comentários
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade é do autor da mensagem. Em respeito a todos os leitores, não são publicados comentários que contenham palavras ou conteúdos ofensivos. Tempo de publicação: 4 minutos
Ler 18 comentários
TOPO