O carnaval com o nosso dinheiro, skindô, skindô…

Como alguns dos leitores devem lembrar, O Antagonista teve acesso à lista mais recente de projetos culturais aprovados pelo governo federal, para captar recursos via Lei Rouanet, com as respectivas quantias máximas autorizadas. Isso significa que os produtores podem bater à porta de pessoas físicas, empresas privadas e estatais, para pedir esse dinheiro por meio de renúncia fiscal. Ou seja, o que as pessoas e empresas se dispuserem a dar é integralmente abatido do imposto de renda delas. Ou seja, as criancinhas pobres do Brasil pagam. E elas podem, ainda, fazer propaganda de si mesmas na condição de patrocinadores, como se o dinheiro dado fosse delas. Não é. É das criancinhas pobres do Brasil.
É bom para todos os envolvidos (menos para as criancinhas pobres do Brasil), também porque, não raro, parte do que produtores captam é devolvido por baixo do pano para patrocinadores, no caixa dois. Não raro, ainda, do valor devolvido é deduzida uma “comissão” para tais produtores. 
No primeiro post, divulgamos os nomes de onze projetos, na área de Artes Cênicas, que foram autorizados a captar MAIS DE 41 MILHÕES DE REAIS. Como já estamos em clima pré-carnavalesco, skindô, skindô, baticundum-burungundum, neste segundo post, selecionamos as escolas de samba que estão na lista da Lei Rouanet, para o carnaval 2015. A seguir, os seus nomes e respectivas quantias que puderam captar — das criancinhas pobres, não esqueçamos:

Mangueira: 6.149.400,00
Águia de Ouro: 2.020.400,00
Viradouro: 2.616.000,00
Nené de Vila Matilde: 2.280.000,00
Acadêmicos do Grande Rio: 4.463.100,00
Império Serrano: 1.142.000,00
Lins Imperial: 450.880,00
São Clemente: 767.200,00
Unidos dos Morros (Santos): 699.250,00
Gaviões da Fiel: 2.315.000,00
Imperatriz Leopoldinense: 2.805.000,00
Mocidade Independente: 5.309.820,00
Total das 12 escolas de Rio de Janeiro, São Paulo e Santos: MAIS DE 31 MILHÕES DE REAIS.

Pergunta: por que não se legaliza o jogo do bicho e se deixa esse troço de escola de samba inteiramente nas mãos dos bicheiros?