O que devo a Paris

Eu, Mario, podia ter escolhido Roma, que sempre tive como “a minha cidade”, mas escolhi Paris. Porque não a amava. Porque não gostava dos franceses. Porque não queria amortecer a minha queda íntima.

Em Paris, exilei-me e fui exilado; em Paris, esqueci-me e fui esquecido; em Paris, escrevi e parei de escrever; em Paris, esvaziei-me e esvaziaram-me; em Paris, desamei-me e me tornei amável para quem realmente interessa.

Em Paris, perdi as ilusões que acreditava jamais ter tido.

Devo o nada a Paris. E, por isso, devo tudo a Paris.