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Tá ligado, hermano?

Se Jair Bozonaro fosse um ditador de verdade, mandava o “seu Exército” já ir lustrando os seus canhões e afiando suas baionetas para atacar Alberto Fernández
Tá ligado, hermano?
Agamenon/O Antagonista

Se o presidente Jair Bozonaro honrasse as calças que suja, deveria declarar imediatamente guerra à Argentina, aquela nação portenha que fica ali embaixo da gente na esquerda do mapa.

O presidente argentário, Alberto Fernández, num discurso disse que nós, brasileiros, viemos da selva, ao contrário dos argentinhos que vieram dos barcos que chegaram da Europa. Esses barcos trouxeram para a América do Sul a galera que os europeus não queriam que ficasse mais por lá, é claro.

Eu quero saber é o seguinte: afinal, de quê o Bolsonaro argentino estava querendo nos xingar? De macacos? De árvores? De onças? De tatus, sucuris, tamanduás, botos-cor-rosa, pirarucus ou de seringueiros que passam a vida inteira na mata tirando leite do pau?

Se essa provocação tivesse vindo de algum povo mais desenvolvido como o paraguaio ou boliviano, tudo bem. Mas do argentino? O que é um argentino? Uns dizem que o argentino é um italiano que fala espanhol e pensa que é inglês. Outros vão mais longe e dizem que o argentino não passa de um gaúcho que fala portunhol e pensa que é uruguaio.

A verdade é que o argentino não se enxerga. Talvez por isso seu maior escritor, Jorge Luis Borges, fosse cego. Imaginem que até no Vaticano tem um argentino que jura que é papa. Aliás, a Argentina tem um monte de Prêmio Nobel e o Brasil nenhum mas, em compensação, nós somos penta e o Maradona já passou desta para a melhor do que Pelé.

Se o Bolsossauro fosse um ditador de verdade, mandava o “seu Exército” já ir lustrando os seus canhões e afiando suas baionetas para atacar o insidioso inimigo portenho. O problema é que os nossos generais estão todos empregados no governo e não tem mais ninguém pra dar a ordem de ataque. O único cara que manda nas Forças Armadas é o presidente mas  como Jair é capitão, não pode liderar a invasão sob pena de quebrar a hierarquia que, junto com a disciplina, é a verga-mestra da ideologia milico-castrense.

No caso de uma guerra argento-brasilina o comandante das forças brasileiras seria General Pançuelo, especialista em logística, mandaria os tanques (de oxigênio) atacar pelo Amapá, as balas seguiriam de avião  para Goiás e os canhões seriam entregues  na Bahia.

Pensando bem, se tiver a mesma coragem mostrada na CPI, o General Cloroquina vai entrar com um habeas corpus preventivo no Supremo alegando que não vai poder comparecer nesta guerra alegando covid-19 e que tem que ir até Manaus comprar uma máscara.

Bolsonaldo vai  invadir a Argentina à frente de um bando de motociclistas jujuteiros e uma tropa milicianos de elite com o General Pançuelo na garupa. No domingo de manhã eles saem da Barra da Tijuca, dão uma parada nas Cataratas do Iguaçu em seguida fazem compras em Cidade del Este. Chegam em  Buenos Aires, percorrem as principais avenidas da cidade, tiram uns selfies, comem um  asado, assistem um show de tango e voltam pra casa.

Aproveitando que  os porradeiros do Brasil estão todos na Argentina, o solerte e covarde inimigo portenho invade o Brasil até Florianópolis, declara Búzios território argentino (como as Malvina) preparam um asado e voltam para casa.

América do Sul é assim mesmo.

De qualquer forma,  desde já, enquanto desempregado, me coloco à disposição das Forças Armadas para lutar pela minha pátria contra o inimigo argentinense. Vamos invadir a Argentina! Vamos  aproveitar agora que a carne está cara e cair de bocas nos chorizos, bifes anchos, lomos, vacios e matambres que compõe a dieta de nossos inimigos carnais. Eu quero ver sangue!!!! Mesmo porque eu só gosto de churrasco mal passado. Chega! Vamos pintar a Casa Rosada de Verde e Rosa para  ser a nova sede da Mangueira.

Leia mais: Crusoé expõe o que está na mesa de negociações pela sucessão na Câmara e no Senado, entre elas a liberação bilionária de emendas, oferta de ministérios, promessas de implosão da Lava Jato, entre outras
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