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Bolsonaro atuou para favorecer dois fabricantes privados de cloroquina

Bolsonaro atuou para favorecer dois fabricantes privados de cloroquina
Foto: Isac Nóbrega/PR

Jair Bolsonaro intercedeu pessoalmente junto ao governo da Índia para liberar matéria-prima para a fabricação de hidroxicloroquina por dois laboratórios brasileiros.

Um telegrama do Itamaraty, encaminhado à CPI da Covid, mostra que o sociopata atuou praticamente como lobista das empresas EMS e Apsen junto ao presidente indiano, Narendra Modi.

“As duas empresas beneficiadas diretamente pela atuação são comandadas por empresários que têm relações com o bolsonarismo”, diz O Globo. 

“O presidente da Apsen, Renato Spallicci, é um apoiador de Bolsonaro. Ele declarou voto no atual presidente em 2018 e tinha várias postagens nas suas redes sociais com ataques a seus adversários e defesa do governo. Ontem, ele foi convocado a prestar depoimento na CPI da Covid. O CEO da EMS, Carlos Sanchez, já foi recebido por Bolsonaro para reuniões no Palácio do Planalto e participou recentemente de jantar com empresários realizado em São Paulo no qual o presidente foi ovacionado.”

O telegrama obtido pela reportagem foi classificado como “secreto” e “urgentíssimo”. Nele, Jair Bolsonaro diz:

“Entrarei diretamente no assunto. Embora não haja, por ora, divulgação oficial, temos tido resultados animadores no uso de hidroxicloroquina para o tratamento de pacientes com a COVID-19. Gostaria, por isso, em nome do governo brasileiro, de fazer um apelo ao amigo Narendra Modi para que obtenhamos a liberação de importações de sulfato de hidroxicloroquina feita por empresas brasileiras.

O sucesso da hidroxicloroquina para tratar a Covid-19 nos faz ter muito interesse nessa remessa indiana. Estou informado de que um carregamento de 530 quilos de sulfato de hidroxicloroquina está parado na Índia, à espera de liberação por parte do governo indiano. Esse carregamento inicial de 530 quilos é parte de uma encomenda maior, e foi comprado pela EMS.

Adianto haver, também, mais carregamentos destinados a uma outra empresa brasileira, a Apsen. Este, como eu dizia, é um apelo humanitário que submetemos a nosso prezado amigo Narendra Modi, e que, se atendido, poderá salvar muitas vidas no Brasil.”

Não, o sociopata não escreveu para a Pfizer.

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