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Paulo Papers

Paulo Papers
Foto: Washington Costa - ASCOM/ME

Paulo Guedes quer ser degolado. Só isso pode explicar seu comportamento suicida no caso da offshore. Depois de dias e dias de catalepsia, ele resolveu enfiar a cachola espontaneamente na guilhotina de Arthur Lira.

A carta que a Trident Trust encaminhou a O Antagonista, dizendo que Paulo Guedes renunciou à diretoria da offshore antes de assumir o Ministério da Economia, suscita mais perguntas do que respostas.

Em primeiro lugar, a Trident Trust é a maior implicada nos Pandora Papers, tendo herdado mais de cem clientes da Mossack Fonseca, alvo dos Panama Papers. Não pode haver testemunha pior do que essa.

Em segundo lugar, Paulo Guedes acabou enredando sua mulher e sua filha no episódio, uma vez que a offshore continuou em nome delas. Se os piratas do Congresso Nacional quiserem constranger o ministro, podem escrutinar todos os investimentos que elas fizeram depois que ele assumiu o cargo. Num governo caracterizado pela rachadinha familiar, qualquer suspeita é legítima.

A Folha de S. Paulo, em editorial, disse neste sábado:

“A memória muito viva de corrupção, lavagem de dinheiro e sonegação de impostos no país contribui para tornar mais desconfortável o episódio para Guedes. Sua demora em esclarecer suas transações e seu comportamento habitual, de bazófia e bravatas destemperadas, também não o favorece. A desconfiança poderia ser menor não fosse o fato de que a lei desobriga autoridades de abrir suas contas e, assim, dirimir dúvidas sobre eventuais conflitos de interesses.”

Assim como fez com a offshore, Paulo Guedes transferiu a gestão da economia para os laranjas do Centrão, mas a titularidade ainda é sua, e não há bazófia ou bravata capaz de isentá-lo.

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