Caso Petrobras: Associação Brasileira de Investidores pede à CVM investigação por 'insider trading'

Caso Petrobras: Associação Brasileira de Investidores pede à CVM investigação por insider trading
***ARQUIVO***SÃO PAULO, SP, 29/01/2019 - Vista de painel eletrônico da Bovespa (Bolsa de Valores), em São Paulo. (Foto: Cris Faga/Folhapress)

A Associação Brasileira de Investidores (Abradin) protocolou há pouco na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) uma reclamação sobre possível caso de insider trading em operações de mercado envolvendo ações da Petrobras, na véspera do anúncio de troca do presidente da companhia.

No documento, obtido por O Antagonista, a Abradin considera “altamente provável” que duas operações atípicas registradas a poucos minutos do encerramento do pregão da quinta-feira 18 “tenham sido feitas com base em informações privilegiadas“.

“Os indícios apontam na direção de que a autoria partiu de alguém que tinha conhecimento das decisões governamentais que seriam tornadas públicas envolvendo a Petrobrás.”

A Abradin cita a compra, em menos de dez minutos, de dois lotes (2,6 milhões e 1,4 milhão) de opções de venda de ações da Petrobras para o valor de R$ 26,50, ressaltando que as ações da companhia eram cotadas naquele momento a R$ 29,27.

“Isto implica em dizer que, para que as opções desta série não perdessem todo seu valor na data do vencimento (segunda-feira 22), a ação, à vista, teria que recuar nada menos que 9,5% em menos de dois pregões.” 

A queda das ações ao valor de venda de R$ 26,50 era tão improvável que as opções eram negociadas a apenas R$ 0,04. Só alguém com informação interna sobre a demissão de Castello Branco apostaria numa baixa tão expressiva.

Segundo a denúncia da Abradin, o felizardo que comprou as 4 milhões de opções teria aferido um ganho de R$ 16,2 milhões.

“Como no dia 22 de fevereiro, dia de vencimento das opções, a ação da Petrobrás, objeto da citada série de opções, chegou a ser cotada a R$ 22,40, aquele que comprou as opções de vender a R$ 26,50 por apenas R$ 0,04 no dia 18 de fevereiro, caso tenha mantido sua posição até o exercício, compraria as ações por até 22,40 e as venderia por R$ 26,50, auferindo um ganho de R$ 4,10, se descontarmos os R$ 0,04 gastos na compra do prêmio da opção, o ganho potencial foi de até R$ 4,06 por cada opção. Para o lote total de 4 milhões de opções, o ganho potencial da operação descrita atinge R$ 16.240.000,00.”

A Abradin pede à CVM, finalmente, que verifique a possível ocorrência de prática não equitativa, bem como qualquer outra irregularidade, nas operações atípicas que ocorreram no dia 18 de fevereiro na série de opções de venda PETRN265, negociada na B3, bem como identificar os autores de tais práticas, caso sejam confirmadas.

Como o “modus operandi” comum do criminoso que faz uso de práticas não equitativas abrange mais de uma série de opções, bem como os mercados a termo e à vista, a Abradin solicitou ainda que sejam averiguadas irregularidades nestes mercados, em especial no que diz respeito às vendas a descoberto, uma vez que foi detectado, no período em questão, um substancial aumento nos aluguéis de ações PETR4, negociadas na B3. 

Leia AQUI o documento.

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