Cortem-lhe a cabeça!

O que fazia a Rainha de Copas de “Alice no País das Maravilhas” quando se sentia contrariada? Aos gritos, ameaçava cortar a cabeça do insolente que, supostamente, ousava contrariá-la. Dilma Rousseff é  a Rainha de Copas; o insolente, no caso, o ministro do Planejamento, Nelson Barbosa. Fula da vida, ela mandou Barbosa voltar atrás no anúncio de que, a partir de 2016, seria mudada a regra de reajuste do salário mínimo — que, pelo atual sistema de aumento anual, tornou-se um indexador inflacionário e de forte pressão sobre os custos das empresas e as contas públicas. Barbosa perdeu a autoridade menos de um dia depois de ser empossado ministro. 
No seu segundo mandato, Dilma continua a mesma, inclusive na silhueta repolhuda que se queria de “sílfide”, apesar do regime feito antes da posse. Como adquirir humildade e conhecimento é ainda mais difícil do que perder peso, ela rejeita perder o controle — ou o descontrole — da política econômica. Os jornais disseram que a contraordem a Barbosa foi dada porque Dilma quer fazer uma média com os sindicatos, depois de ter endurecido algumas regras trabalhistas. Até certo ponto. O que a Rainha de Copas não admite, mesmo, é descentralizar o poder, em especial nessa área. Quer provar que é boa gestora, fábula criada por Lula na qual ela passou a acreditar piamente, até para tentar cancelar, O Antagonista arrisca dizer, uma frustração do passado: Dilma conseguiu quebrar, como proprietária, uma loja de bugigangas importadas que custavam 1,99, quando o dólar estava um para um.
A verdade é que, se Dilma não tivesse sido pressionada durante a campanha por seus patrocinadores banqueiros e pelo comportamento da Bolsa de Valores,  o ministro da Fazenda seria Aloizio Mercadante — que, além de ser partidário das mesmas parvoíces nacionalistas e populistas, é um ótimo Valete, sempre pronto a obedecer.
A Rainha de Copas está nua e o seu reino, podre.

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