"Estamos diante de uma crise emergencial. Não tem nada a ver com reformas"

Sem citar diretamente Paulo Guedes, o economista Carlos Eduardo de Freitas criticou quem, neste momento de crise em razão do avanço do novo coronavírus, defende a aprovação de reformas estruturais.

Freitas foi diretor de finanças públicas e regimes especiais do Banco Central durante a era de privatizações no governo FHC.

Na semana passada, Guedes disse à Veja que “se promovermos as reformas, abriremos espaço para um ataque direto ao coronavírus”. O ministro da Economia também disse a jornalistas que “gostaria que as principais lideranças políticas do Brasil reagissem com muita velocidade com as nossas reformas, para reforçar a saúde econômica do Brasil”.

Freitas ponderou a O Antagonista:

“Estamos diante de uma crise emergencial. Não tem nada a ver com reformas. Misturar uma coisa com outra pode parecer oportunismo, para aprovar qualquer coisa.”

O ex-diretor do BC, que é favorável às reformas — tributária e administrativa, por exemplo –, afirmou que o governo precisa se concentrar em “manter o sistema econômico funcionando”.

“E isso envolve, basicamente, política fiscal acoplada a uma política de crédito: manter o financiamento, para que as empresas continuem funcionando, apesar da produção e da demanda prejudicadas. Não é ficar falando em reformas, nem mesmo baixando juros ou vendendo reservas: essas são medidas clássicas, para momentos normais, o que não é o caso, estamos em uma emergência.”

Ele completou:

“Reformas são propostas estruturantes. Emergência é emergência. A dinâmica da pandemia vai determinar a severidade das medidas que precisarão ser tomadas, mas, na crise, não existe teoria, existe o que você pode fazer.”

Leia também: CRISE ECONÔMICA À VISTA
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