Luciano Coutinho, o tesoureiro paralelo do PT

Luciano Coutinho aceitou o convite para permanecer na presidência do BNDES. Na verdade, ele está tão associado às lambanças do banco público que não lhe restaria outro caminho — a não ser, quem sabe, integrar formalmente o Conselho de Administração do grupo JBS/Friboi, o maior financiador da campanha presidencial de Dilma Rousseff, do qual o BNDES é credor generoso e zeloso. Tão zeloso que não quer abrir os empréstimos concedidos ao JBS/Friboi para os auditores do Tribunal de Contas da União examinarem, alegando que se trataria de quebra de sigilo bancário. Sigilo bancário com dinheiro público é uma invenção de Luciano Coutinho.

Um retrato sucinto da transferência maciça de dinheiro dos contribuintes (tecnicamente, créditos da União provenientes do Tesouro Nacional) para os amigos da petizada está no comentário enviado ao Antagonista pela Associação Nacional dos Auditores de Controle Externo dos Tribunais de Contas do Brasil. A associação, como noticiamos, entrará com uma ação no Supremo Tribunal Federal para que o BNDES abra as suas contas.

Eis o comentário da ANTC:

O saldo dos créditos da União com o BNDES saltou de 10,7 bilhões de reais em 2008 para 514,6 bilhões de reais em 2014 (mais de 4.700% em 6 anos).

Além dos recursos do Tesouro Nacional, o BNDES também gere recursos provenientes de outros fundos públicos (legais ou constitucionais), dentre os quais merece destaque o Fundo de Amparo ao Trabalhador – FAT (191,3 bilhões de reais). Há, ainda, o Fundo PIS-PASEP (33,6 bilhões de reais) e o Fundo FGTS (9 bilhões de reais). É muito dinheiro para ficar sob o manto sacrossanto do sigilo bancário de dinheiro público.

No BNDES, Luciano Coutinho se tornou uma espécie de tesoureiro paralelo do PT. Só que, para variar, o dinheiro é nosso.