O desastre ainda está incompleto

Geraldo Samor fornece um bom resumo da perda de grau de investimento:

Além de cortar a nota — o selo de qualidade que muitos investidores internacionais precisam para investir no Brasil — a S&P ainda disse que a perspectiva para o risco brasileiro é ‘negativa’. Em outras palavras: a nota ainda pode ser cortada em mais um degrau nos próximos meses.

A S&P diz que as chances de mais um corte estão “acima de 33%” devido a três fatores: uma piora ainda maior das contas públicas, “potenciais reversões importantes na política econômica” (um recado para o recente enfraquecimento de Joaquim Levy e o fortalecimento de Nelson Barbosa na formulação econômica?), ou ainda devido a uma “turbulência econômica ainda maior” do que a agência espera hoje.

A decisão mostra que até mesmo as agências de risco — até agora complacentes com os desvios de curso e retardatárias na avaliação do cenário — perderam a paciência com a incapacidade do País de corrigir uma trajetória fiscal preocupante e implementar reformas que possam ressuscitar o crescimento pelo menos a longo prazo.

Amanhã, a Bolsa, o dólar e os juros vão reagir ao anúncio feito esta noite, quando os mercados já estavam fechados.

A nota do Brasil amanheceu o dia como BBB- e vai dormir BB+.

Em outras palavras, o desastre ainda está incompleto.