A produtividade precisa ser política de Estado

A Gazeta do Povo publicou um artigo que precisa ser lido por Jair Bolsonaro e equipe.

Nele, Débora Costa, Fernando Camargo e Sandro Cabral mostram que o aumento da produtividade deveria ser vista como política de Estado, não de governo.

Eis alguns trechos do artigo:

“Em comparação ao Brasil, o que países como Holanda, Dinamarca, França e Eslovênia têm em comum? Além de temperaturas médias mais baixas e de não ter o português como língua oficial, todos esses países apresentam taxas de produtividade mais elevadas que a brasileira, isto é, precisam de menos horas de trabalho para gerar a mesma quantidade de riqueza em relação a nós. Segundo relatório do Banco Mundial publicado em março de 2018, o abismo só tem aumentado: a produtividade do trabalhador brasileiro aumentou apenas 17% nos últimos 20 anos, enquanto países de alta renda observaram um incremento de 34%.

Com o aumento da expectativa de vida da população e o fim do chamado bônus demográfico, é imperativo que o Brasil tenha a capacidade de fazer mais com menos e aumente o volume produzido por aqueles que estão na ativa. O aumento da produtividade de um país beneficia a população de forma ampla, que assim pode usufruir de bens e serviços com custos de produção mais baixos e de melhor qualidade. Ao mesmo tempo, seu aumento não é excludente ou rival, pois beneficia a sociedade indistintamente, permitindo classificar a produtividade como bem público. Fica claro que melhorar a produtividade pode ser uma das saídas mais eloquentes para a melhoria dos padrões de desenvolvimento do país.”

E também:

“Mas, se a produtividade é benéfica, por que governos mais à direita e mais à esquerda do espectro político não conseguiram desatar esse nó e colocar o Brasil num círculo virtuoso? A resposta é simples: governos não têm colocado esse tema como prioridade por causa dos elevados custos políticos associados e das pressões de corporações. Os benefícios de políticas voltadas ao aumento da produtividade são difusos e observáveis no longo prazo, mas os custos políticos são pagos à vista na forma de perda de apoio de base parlamentar e de reações contrárias de corporações que se acostumaram a viver de privilégios e com enorme capacidade de fazer seus interesses serem atendidos. Assim, sob a ótica do político-padrão – aquele que almeja otimizar suas chances de eleição mais do que observar o bem-estar coletivo –, a conta não fecha.

De fato, várias brigas teriam de ser compradas para levar adiante uma agenda de estímulo à produtividade. A lista de exemplos é longa e vai do lobby dos notários contra o projeto de lei que cria a duplicata eletrônica, capaz de diminuir a burocracia e de aumentar a segurança do sistema de garantias, às entidades de advogados contrários ao uso de tecnologia da informação para auxílio na elaboração de ações trabalhistas que aumentariam a eficiência da Justiça, passando por estamentos do funcionalismo público que podem ter seus privilégios revistos, empresários nacionais defensores de reserva de mercado e contrários à diminuição das alíquotas de importação, dirigentes de sindicatos patronais que sobrevivem graças aos repasses públicos e são refratários ao exame detalhado do impacto de suas entidades, chegando a grupos de interesse bem conectados ao sistema político e sedentos por créditos subsidiados e benefícios tributários, apenas para citar alguns casos.”

E ainda:
“O aumento da produtividade é necessário para um crescimento permanente e sustentável. Países como Austrália e Chile encontraram nas chamadas “Comissões de Produtividade” uma forma para romper com o statu quo. O Brasil pode trilhar o mesmo caminho para coordenar harmonicamente a atuação dos diversos setores governamentais, para institucionalizar e perenizar a agenda e, principalmente, esclarecer as implicações de políticas que travam a produtividade, explicitando com base em evidências robustas os ganhadores e perdedores de um dado arranjo. Para evitar a criação de mais uma agência governamental, tais funções poderiam ser acopladas a estruturas que já realizam avaliação de políticas públicas. Naturalmente, além de estar suficientemente blindada de influências políticas, a comissão de produtividade necessita de elevada reputação técnica e empoderamento institucional para implementar suas recomendações a todas as esferas da máquina pública.”

A grande imprensa está atrasada no episódio do convite de Bolsonaro a Moro... Imagine o que ela está deixando de revelar para VOCÊ LEIA AQUI

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  1. Sim, o aumento da produtividade não deve estar somente associado ao setor privado. O funcionalismo público, com raras exceções, tem uma produtividade baixíssima e trabalha-se muito pouco.

  2. Não entendo. Brasil burocratizado pelo Estado, corporações umbilicadas aos deputados e ao Estado… e eles pedem mais Estado? E dizer, no Brasil, que Governo não é Estado é só enrolar o afegão

  3. Vi que o artigo (no original) não traz uma única palavra sobre os efeitos da pretendida extinção da corrupção, na economia em geral e na produtividade em particular. Desconfio de coisas assim.

  4. Exemplo recentemente ocorrido no Brasil foi a reforma trabalhista, com destaque para a extinção do imposto sindical! Mais além da “produtividade”, a melhor “política de Estado” é MENOS ESTADO

  5. Curioso em saber se, nos trechos não publicados do artigo original, consta alguma apreciação sobre o reflexo da corrupção generalizada sobre o “custo Brasil”. Tal lacuna seria muito eloquente.

  6. o aumento da produtividade das empresas=simplificação do sistema de tributação. empresas são obrigadas a manter inúmeros funcionários apenas para atender o fisco, e não em produção

  7. Nota relevante! Além de investir em R&D, o País precisa cuidar da educação geral. Metade de sua população adulta é analfabeta (10% de analfabetos absolutos + 40% analfabetos funcionais).

    1. No passado, foi muito maior a procura por mão de obra abundante e barata. O avanço tecnológico, porém, força o investidor atual a buscar RH qualificados, o que implica educação adequada.

  8. Brasileiro faz filhos e quer pendura seu desenvolvimento e escolaridade no governo, a produtividade by trabalho tem que ofercer oa meios de cada família ser auto -suficiente no desenrolar da vida.

  9. O nosso maior problema são os cartórios, tudo é cartorizado, cartelizado, monopolizado ou oligopolizado, aí a produtividade não cresce nunca. Ou acabamos de vez com todos os cartórios ou ficamos

  10. Um povo pouco “desenvolvido” sócio-politicam,ente como o Brasileiro, pende mais para o paternalismo populista e para discursos demagógicos de políticos tradicionais e mentirosos !

    1. É q quase ninguém os lê, Márcia. Estão todos muito ocupados assistindo TV, JN, Band, novelas, BBB, futebol. Banguelas culturais só querem consumir lixo, pq é o vai dentro deles.

  11. Explico: Um funcionário com salário R$ 1.000,00 custa para empresa 2.514,00 esse funcionário poderia receber esse valor total. Ou a empresa contratar outro e dobrar o emprego e sua produção. Fon

  12. Apesar de não conter a expressão AUMENTO DE PRODUTIVIDADE, penso que o Governo Bolsonaro MOSTRA com as medidas previstas – e até aqui bem “desenhadas” – q isso será feito c/MENOS BUROCRACIA.

  13. Falar em aumento de produtividade num país onde o sistema educacional é baseado nas ideias marxistas de Paulo Freire, Darcy Ribeiro, Antonio Gramsci e outras porcarias…É brincadeira, não é?

  14. Poderíamos coneçar, por exemplo, pelo judiciário. Simplismente inadimissível e vergonhoso que alguns processos levem anos parados. Vergonha injustificável que prejudica o cidadão.

  15. Vale da ribeira região pobre,esquecida,uma grande mina de grafite que segundo o ministro da ciência,vai viabilizar estudo pra produzir o Grafeno,baterias e tantos outros.porque não fizeram antes?

  16. Vale da ribeira região pobre,esquecida,uma grande mina de grafite que segundo o ministro da ciência,vai viabilizar estudo pra produzir o Grafeno,baterias e tantos outros.porque não fizeram antes?

    1. O que dá esperança é que muitas coisas se resolvem na canetada, por decretos e não precisa de aprovação do Congresso.

    2. Resumiu a questão. A principal briga política é essa, diminuir o poder do estamento burocrático pro país voltar a crescer.