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"Real não valorizará tão logo por conta da disputa política", afirma especialista

Emanuel Pessoa, doutor em direito econômico, explica que país pode ter que enfrentar dilema de uma moeda forte com um parque industrial sucateado
“Real não valorizará tão logo por conta da disputa política”, afirma especialista
Foto: Joel Santana/Pixabay

A polarização política que vai se arrastar até 2022 é um dos motivos que impedirá a valorização do real no curto prazo. Porém, passada essa tormenta, o Brasil pode ter que voltar a disputar mercado com uma moeda forte e um parque fabril sucateado também pela pandemia. A opinião é do advogado Emanuel Pessoa, doutor em direito econômico e mestre pela Universidade de Harvard.

“O Brasil sofre de 3 problemas. Falta segurança física, jurídica e institucional. E o investidor já precifica a radicalização das decisões políticas de lado a lado.”

Segundo Pessoa, o atual ciclo de elevação de preços das commodities pode fazer com que a valorização do real atrapalhe a indústria nacional, por conta da queda dos preços de produtos importados.

“O Brasil pode sofrer da ‘doença holandesa’, que é quando o câmbio é muito alto e ajuda a quebrar a indústria nacional.”

Pessoa destacou que os investidores considerado o Brasil um “oceano azul” , por causa das muitas oportunidades de investimento com pouca concorrência, e extremamente barato com o câmbio de hoje. E mesmo assim, explicou, os investidores ficam receosos com os próximos passos que serão adotados.

“Não se pode mais dizer que há diferença competitiva entre um trabalhador de chão de fábrica no Brasil e na China. Há muito dinheiro disponível no mercado, e mesmo assim não há um crescimento considerável do investimento direto estrangeiro. A dívida pública vai ultrapassar 92% do PIB este ano. Não se sabe o que será feito para compensar, se aumentará imposto, reduzirá gasto, destruirá o teto. É a instabilidade econômica que mata os investimentos no Brasil.”

O advogado disse ainda que a pandemia tirou da indústria brasileira não só o cliente, mas fornecedores também. “Para o Brasil é uma tragédia patinar na vacinação, porque temos uma capacidade como pouco outros países têm. É como comprar um Porsche para andar numa estrada com limite de 20 km/h.”

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