ACESSE

Marcelo Adnet e a falta de uma direita esclarecida

Telegram

Entrevistado no programa Roda Viva, ontem, o humorista Marcelo Adnet disse que era de esquerda, mas não comunista:

“É óbvio, você tem que ser de esquerda no Brasil. Como morar no Brasil e não ser de esquerda? Temos diferenças muito abissais. As políticas progressistas no Brasil são a única forma que faz sentido para diminuir as diferenças abissais, em vez de largar a mão.”

Ele reconheceu, no entanto, que o governo de Jair Bolsonaro leva vantagem na comunicação com o povo:

“O lado governista atualmente tem uma forma de comunicação muito breve, é em meme, uma frase, um chora mais. Enquanto a esquerda é muito mais psicologizada, falando de uma maneira foucaultiana, o fascismo moderno… E todo esse discurso acadêmico da esquerda, que eu tenho também, acaba afastando a população, porque não comunica, ele é chato.”

Adnet é um rapaz atilado, mas confunde direita com “largar a mão”, um equívoco embrulhado no discurso da esquerda eleitoral. A direita esclarecida “não larga a mão”, mas estimula os cidadãos a usar as próprias mãos na construção do seu futuro, sem um Estado paternalista. E, quanto aos hábitos e costumes, é liberal, mas sem recorrer a políticas estatais que impliquem engenharias sociais conduzidas por polícias do pensamento.

O problema no Brasil é não termos direita esclarecida, mas uma direita grosseira e populista que macaqueia a sua congênere à esquerda, como demonstra o governo Jair Bolsonaro, com todos querendo esbaldar-se com dinheiro público.

A verdade é que a nossa questão de fundo ainda não é ideológica. É de decência. Só existe o Centrão.

Leia mais: CHEQUES DE QUEIROZ A MICHELLE BOLSONARO: O PRÓXIMO CAPÍTULO

Comentários

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade é do autor da mensagem. Em respeito a todos os leitores, não são publicados comentários que contenham palavras ou conteúdos ofensivos. Tempo de publicação: 4 minutos
Ler 102 comentários