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“Governo destruiu a imagem ambiental do país e isso afetará os investimentos”

O economista Sergio Vale afirmou que a política de Bolsonaro para o meio ambiente minou a credibilidade do Brasil e afetará a atração de capital
“Governo destruiu a imagem ambiental do país e isso afetará os investimentos”
Reprodução/redes sociais

O governo Jair Bolsonaro minou a credibilidade ambiental do país e isso afetará a atração de investimentos de longo prazo no Brasil. A afirmação é do economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale, em entrevista a O Antagonista. Segundo ele, os ruídos criados pelo presidente e por Paulo Guedes têm prejudicado o processo de recuperação do país.

“O conjunto do governo é muito ruim e no primeiro ano de gestão minaram a credibilidade que o país tinha nas questões ambientais.O Brasil tem um ativo ambiental muito forte. O governo destruiu a imagem ambiental do país, com impactos negativo para investimentos de longo prazo. O tema ambiental foi muito mal tratado pelo governo e vai ter um custo crescente nos proximos anos em termos de investimento”, disse. 

Além dos problemas ambientais, o brasileiro conviverá em 2022 com preços altos de combustíveis, energia elétrica e de alimentos. Segundo Vale, o Banco Central será obrigado a aumentar os juros para 9% ao ano para conter o ritmo de alta da inflação.

Leia abaixo a íntegra da entrevista:

Por que os preços dos combustíveis e da energia estão subindo?

Estamos passando por problemas de curto no prazo no mundo, relacionados tanto por desafios de oferta quando de demanda. Há uma pressão de demanda, com pessoas usando mais combustíveis e energias em todo o mundo. Do lado da oferta, investimentos deixaram de ser feitos no ano passado e isso afetou a produção. Outra fonte de pressão nos preços das energias está relacionada ao processo de mudanças climáticas. Há uma exigência maior por fontes de energia renováveis, especialmente na China. No Brasil, há um impacto maior do câmbio. Como o real perdeu valor em relação ao dólar, o preço dos combustíveis subiu muito. E a tendência, no curto prazo, é de que essa pressão nos preços continue.

O brasileiro, no curto prazo, continuará pagando caro pela gasolina, pelo botijão de gás e pela energia?

Muito provavalmente, os brasilerios vão continuar sentindo essa pressão nesses preços. No caso da energia elétrica, essa situação não está resolvida. Temos um crescimento forte de consumo e uma situação hídrica bastante precária, com os reservatórios em níveis históricamente baixos. No próximo ano, os efeitos climáticos do La Niña estarão presentes e significa dizer que o regime de chuvas será baixo. As tarifas de energia elétrica continuarão altas em 2022. A boa notícia, talvez, é que a desaceleração no preço dos alimentos tende a reduzir o ritmo de alta da inflação. As estimativas apontam para safras muito boas no Brasil e no mundo. Em 2021, a inflação de alimentos deve chegar a 9%. Em 2022, estimamos uma alta de 3% a 4%.

Mudar a regra de cálculo do ICMS de combustíveis contribui para reduzir os preços?

Ajustar a regra de cálculo do ICMS é paliativo. O grosso da piora nos preços não tem relação com impostos e essa medida não vai fazer com que os valores dos combustíveis caiam. Se o dólar continuar em alta e preço do petróleo continuar subindo, mudar as regras de ICMS não vai adiantar praticamente nada. Não é simples para um governo enfraquecido jogar no colo dos estados o ajuste e a culpa pela alta dos combustíveis, como tem sido feito.

O governo Bolsonaro tem culpa nesse processo de alta da gasolina?

Na verdade, o culpado final dessa pressão de preços, em grande parte, é o governo. Se não tivesse sido o governo tão negativo na condução da política fiscal, talvez tivéssemos uma taxa de câmbio bem menor do que temos agora. Assim, a sensação de piora nos preços dos combustíveis não estaria tão elevada. No passado recente, os preços das commodities aumentavam e taxa de câmbio diminuía a partir da expectativa de que mais dólares entrariam no Brasil, com o aumento das exportações. Isso não aconteceu no ano passado e ao longo de 2021 porque houve uma piora fiscal. Não há sinalização de melhora.

O que o Banco Central deve fazer diante desse contexto?

O Banco Central não tem alternativa e teremos um aumento de juros sigficativo até o próximo ano. A gente está imaginando, inclusive, que a taxa deve chegar a 9% no fim do ciclo. Quando a gente olha para frente, as pressões inflacionárias continuam. E essa taxa deve ficar em 9% por bastante tempo. Mesmo fazendo isso, a inflação estará pressionada. Nossa estimativa é de uma inflação de 4,7% no próximo ano, acima da meta.

O excesso de ruídos criado pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo ministro Paulo Guedes têm prejudicado a percepção dos investidores sobre o Brasil?

Sim. O conjunto do governo é muito ruim e no primeiro ano de gestão minaram a credibilidade que o país tinha nas questões ambientais.O Brasil tem um ativo ambiental muito forte. O governo destruiu a imagem ambiental do país, com impactos negativo para investimentos de longo prazo. O tema ambiental foi muito mal tratado pelo governo e vai ter um custo crescente nos proximos anos em termos de investimento. As emrpesas vão olhar o Brasil com outros olhos. A isso se somam os riscos fiscais. O governo não coseguiu arrumar a casa do ponto de vista fiscal. Infelizmente, não souberam aproveitar as oportunidades da crise para colher apoios e aprovar reformas importantes. Seria importante fazer as reformas tributária e administrativa. Não as que estão aí. Esses problemas vão cair no colo do próximo presidente.

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