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"Lula e Bolsonaro são parecidos. São dois populistas. Apontam para deterioração fiscal"

A afirmação é da economista Ana Carla Abraão, sócia da consultoria Oliver Wyman; segundo ela, uma candidatura de 3ª via é necessária para recuperar o país
“Lula e Bolsonaro são parecidos. São dois populistas. Apontam para deterioração fiscal”
Foto: Roque de Sá/Agência Senado

A construção de uma candidatura presidencial de terceira via em 2022 é essencial para que o país volte a crescer e gerar empregos. Essa é a avaliação da economista Ana Carla Abrão, sócia da consultoria Oliver Wyman. Em entrevista a O Antagonista, ela disse que Jair Bolsonaro e Lula são dois populistas, com trajetórias parecidas.

“Tanto em um caso quanto no outro a gente tem uma continuidade do processo de deterioração fiscal. No caso do Bolsonaro, tem um risco de ameaça à democracia. Do ponto de vista econômico, estamos muito mal. Continuaremos no processo de desequilíbrio fiscal. Lula e Bolsonaro são parecidos. São dois populistas. Apontam para deterioração fiscal, das questões de qualidade do gasto público”, disse. 

Segundo Ana Carla, o governo jogou uma pá de cal na pouca credibilidade que mantinha com a PEC dos Precatórios.

Não há como tergiversar. A PEC é um calote. São dívidas reconhecidas, transitadas em julgado. Deixar de pagar e jogar para frente é um calote. O governo está querendo construir uma narrativa diferente, mas é um calote”, afirmou. 

Leia abaixo a íntegra da entrevista:

A PEC dos Precatórios é um calote nos brasileiros?

Não há como tergiversar. A PEC é um calote. São dívidas reconhecidas, transitadas em julgado. Deixar de pagar e jogar para frente é um calote. O governo está querendo construir uma narrativa diferente, mas é um calote.

Qual é o impacto disso na credibilidade do governo e da equipe econômica?

Ninguém propõe um calote sem ter a credibilidade arranhada. Vários balões de ensaio foram jogados e começaram a minar a credibilidade do governo e da equipe econômica. Começaram com os debates sobre o Fundeb, depois uma reforma do Imposto de Renda atrapalhada e passaram por uma reforma administrativa capenga. Todas essas propostas minaram a credibilidade do governo. A pá de cal foi a PEC dos Precatórios. O governo prometeu uma agenda liberal e reformista e não entregou. Fizeram o marco legal do saneamento e a autonomia do BC. Mas o conjunto da obra é ruim. O superministro da Economia, que começou 2019 como o grande resolvedor de problemas, não resolveu nada. Ele se presta a uma agenda de reeleição e um projeto de poder com características autoritárias. Existem formas e formas de se rasgar uma biografia. E essa foi feita com primor.

O que esperar de 2022?

Eu estou na ponta dos mais pessimistas. Teremos um ano ruim para o crescimento, com inflação ainda alta e desemprego. O ano de 2022 é de retrocesso, diante de um processo de deterioração fiscal muito grande. Teremos juros acima de 11%, recessão e inflação alta. A chance de a inflação convergir para a meta é baixa. Para fazer isso, o BC teria que subir os juros para um patamar muito recessivo. A única ponta de esperança é que o Brasil reage quando as coisas entram em um processo tão disfuncional. A sociedade reage. Tenho a esperança de que isso se reflita na viabilização de uma candidatura que vai resgatar um projeto de país, de desenvolvido econômico e social. A pobreza se tornou mais visível. Você anda nas ruas e percebe o empobrecimento das pessoas.

Em que se baseia sua esperança?

Esse processo ainda depende de algumas coisas, como quem será o candidato do PSDB, quem será o candidato de terceira via ou de centro que vai se mostrar mais competitivo. A própria condição eleitoral do presidente é um ponto importante. Ele está dando uma guinada populista. É só começou com Auxílio Brasil e com PEC dos Precatórios. Essas propostas são meramente eleitoreiras. Outro ponto importante é o desempenho econômico do país e como isso vai machucar e comprometer as possibilidades eleitorais de Bolsonaro. Ainda é cedo para essas definições. Mas há esperança de que teremos uma alternativa aos dois extremos que estão postos.

O que representaria para o país a eleição de Lula ou Bolsonaro?

Tanto em um caso quanto no outro a gente tem uma continuidade do processo de deterioração fiscal. No caso do Bolsonaro, tem um risco de ameaça à democracia. Do ponto de vista econômico, estamos muito mal. Continuaremos no processo de desequilíbrio fiscal. Lula e Bolsonaro são parecidos. São dois populistas. Apontam para deterioração fiscal, das questões de qualidade do gasto público. Eles têm uma visão da gestão fiscal e da qualidade do gasto que são distorcidas e negativas quando olhamos no médio e longo prazo. Além disso, no caso Bolsonaro, temos uma deterioração no campo da educação, da cultura e dos valores sociais que vão para um caminho obscuro, de retrocesso em valores que sociedade moderna tomou como naturais. Os dois apontam e sinalizam um país pior para a sociedade.

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