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"Qualquer candidato da terceira via que chegar ao segundo turno ganhará as eleições"

Gilberto Kassab, presidente do PSD, disse a O Antagonista que espera para as "próximas semanas" a confirmação da candidatura de Rodrigo Pacheco
“Qualquer candidato da terceira via que chegar ao segundo turno ganhará as eleições”
Foto: Cesar Itiberê/PR

Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD, está animado com a possibilidade de o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, hoje no DEM, aceitar “nas próximas semanas” ser o candidato do partido à Presidência da República em 2022.

Em entrevista a O Antagonista, o dirigente partidário faz elogios ao senador mineiro, o coloca como “o mais bem posicionado” para ocupar a chamada terceira via e diz não acreditar que os demais partidos de “centro” conseguirão encontrar uma candidatura única para fazer frente à polarização entre Lula e Jair Bolsonaro.

“Não acredito que o Ciro Gomes não será candidato. Não acredito que o João Doria abrirá mão da sua candidatura”, exemplifica.

Kassab também avalia que a reforma fisiológica concretizada nesta semana por Bolsonaro garante ao presidente o apoio do PP ao projeto de reeleição. Ele aposta que, além do partido de Ciro Nogueira, novo ministro-chefe da Casa Civil, o PL e o Republicanos também caminharão certamente com Bolsonaro.

Kassab sustenta, ainda, que “qualquer candidato da terceira via que chegar ao segundo turno ganhará as eleições” presidenciais do ano que vem.

Leia a íntegra da entrevista:

As mudanças na Esplanada concretizadas nesta semana por Jair Bolsonaro selam de vez o apoio de partidos como o PP à reeleição do presidente? Em que medida isso mexe no tabuleiro para 2022?

Não posso falar pelo PP, muito menos pelo Ciro Nogueira, mas minha avaliação é a de que, sim, a reforma consolida a base principal de apoio ao presidente, isso é inegável. São três partidos que estão muito integrados ao governo: PP, PL e Republicanos. Como observador, parece-me que essas alianças não serão desfeitas antes das eleições. Acredito que o Bolsonaro será candidato à reeleição com esses três partidos, com certeza, e não sei se com algum outro.

Paulinho da Força, presidente do Solidariedade, disse a O Antagonista que não acredita em terceira via. É também o que afirmam, nos bastidores, outros dirigentes partidários. O senhor realmente acredita em terceira via para 2022?

É natural que muitos digam que não acreditam, porque não se prepararam. O PSD se preparou, está criando palanques regionais, procurou ter bons quadros: estamos trabalhando para que a sociedade tenha o sentimento de que existe um grupo político no Brasil que quer a renovação, quer novas propostas e uma nova maneira de fazer política, sem atirar pedra em ninguém, apenas mostrando alternativas.

A própria rejeição às candidaturas de Lula e Bolsonaro mostra que o eleitor brasileiro tem todas as condições de abraçar uma terceira via. Agora, é muito importante ter humildade, ter os melhores nomes, uma boa comunicação, para que as pessoas possam entender a proposta efetivamente. Eu continuo acreditando que haverá uma terceira via. O PSD é novo, mas já tem 10 anos, o que é tempo suficiente para se preparar e mostrar sua cara.

Quando Rodrigo Pacheco decidirá se será candidato ou não candidato ao Planalto pelo PSD?

Não posso falar por ele. O convite já foi feito. O Rodrigo, nos últimos anos, mostrou que tem talento político, vocação política: elegeu-se deputado federal, senador, virou presidente do Senado. Isso tudo o credencia para se apresentar como candidato. Minha intuição é que ele vai querer. Qual o brasileiro que não quer ter a honra de ser candidato a presidente e de ser presidente da República? Ele é o melhor perfil: é chefe de Poder, expressa renovação e já mostrou uma série de predicados para ser presidente da República.

Não há o risco de ele decidir tarde demais?

Concordo com você que tem um tempo. Mas a minha impressão é a de que ele sabe desse tempo e vai definir, eu espero, aceitando o convite nas próximas semanas.

Jair Bolsonaro está garantido no segundo turno? Lula está garantido no segundo turno?

Ninguém está garantido. Mas entendo que o Bolsonaro pode estar mais longe do segundo turno do que o Lula. Pelas fragilidades que o governo dele apresenta, pela conduta pessoal do presidente na pandemia, pelas as incoerências no discurso. Mas é um mero pressentimento. Falta pouco mais de um ano para a eleição e muita coisa vai acontecer até lá. Salto alto derrota qualquer candidato. Entendo que ambos terão de trabalhar muito para ir ao segundo turno, até porque ambos têm rejeição muito alta.

Acredito que a postura inicial do Rodrigo, com muita humildade e desprendimento, é importante. Está se criando uma ansiedade no Brasil pela terceira via. E o Rodrigo não tem vaidade. Ela aceitará com prazer ser candidato, se essa for uma missão. Essa postura já mostra que a largada é boa.

Nem a reforma ministerial desta semana garante Bolsonaro no segundo turno?

Acho que não. Eleição majoritária não é política. Essa ação do presidente foi uma ação política, para afastar o risco de impeachment, e não uma ação com impacto eleitoral. Pelo contrário: os últimos movimentos do presidente tem resultado em muitos desgastes. Veja a reforma tributária: essa proposta do governo é um desastre, tem rejeição nacional. Além, repito, da conduta do presidente na pandemia.

A terceira via tem candidato preferido para um eventual segundo turno?

Não quero correr o risco de ser agressivo com nenhum dos candidatos. Mas, tomando o cuidado para não ser arrogante, até porque não temos candidato confirmado ainda — e eu espero que seja o Rodrigo –, digo que tenho a impressão de que qualquer candidato da terceira via que chegar ao segundo turno ganhará as eleições. Seja contra Lula ou contra Bolsonaro.

Mas vai saber se os dois [Lula e Bolsonaro] não ficam de fora também? Falta muito tempo. Estou há 30 anos na vida publica e já vi de tudo. Conheço centenas de candidatos que começaram a corrida eleitoral com 50% ou 60% e perderam a eleição. E centenas de candidatos que começaram com 2% ou 3% e ganharam  as eleições. Não vejo ninguém tão bem posicionado como o Rodrigo Pacheco para ocupar o espaço da terceira via.

Por que o PSD não tem participado das reuniões com os outros partidos do “centro”, que buscam uma candidatura única?

Porque seria uma incoerência. No momento em que a gente participa dessas reuniões, a gente está admitindo que vai abrir mão de ter candidatura própria. E o PSD trabalhou para ter candidatura própria. Seria até uma deslealdade com esses partidos. Temos respeito por todos eles, mas eles têm o entendimento de que terão um só candidato e eu não acredito nisso. Não acredito que o Ciro Gomes não será candidato. Não acredito que o João Doria abrirá mão da sua candidatura. Então, a gente quer transparência, quer falar a verdade, para ser respeitado.

O PSD tem hoje apoio fora do partido para um projeto de candidatura presidencial?

Não estamos procurando apoio fora, porque ainda não temos o projeto pronto. Torço para que o Geraldo Alckmin se filie ao PSD, que está pronto para recebê-lo e lançá-lo ao governo em São Paulo. Vamos aguardar as definições. Teremos surpresas boas em alguns estados nas próximas semanas. E aí, sim, estaremos abertos para qualquer conversa, inclusive para ceder, se houver algum projeto mais consolidado que o nosso. Mas eu, sinceramente, não vejo nenhum partido se preparando para algo com dimensão tão grande.

Existe alguma chance de o PSD, na reta final de 2022, desistir de candidatura própria e apoiar Lula ou Bolsonaro?

Não, nenhuma. Seria a desmoralização pessoal dos seus dirigentes, que trabalham, desde a fundação, para que o partido tenha candidatura própria à Presidência da República. Nosso compromisso já é muito grande. A chance de estarmos no primeiro turno com a candidatura de Lula ou de Bolsonaro, portanto, é zero, é impossível.

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