As virtudes de Trump

É raro encontrar um comentário sobre Donald Trump que valha a pena, sobretudo na imprensa brasileira.

O artigo de Joel Pinheiro da Fonseca, publicado na Folha de S. Paulo, destoa do resto:

“Donald Trump venceu por ter feito para o cidadão americano médio o que ninguém mais teve coragem de fazer: defendê-lo. Ousou colocar seus interesses, e não o dos mexicanos, dos chineses ou dos organismos internacionais, em primeiro lugar…

O resultado foi deplorável, nisso eu concordo. Mas não ataquemos justamente sua virtude: defender abertamente os interesses da população, negar a obrigatoriedade da compaixão auto-sacrificial.

O que está errado aí é a crença no antagonismo dos interesses dos povos: que o bem dos mexicanos ou dos chineses só pode existir à custa dos americanos.

Hillary jamais contestou essa premissa; jamais fez uma defesa positiva do sistema de liberdade econômica no qual todos ganham e que ela, na prática, promovia enquanto secretária de Estado.

Aceitou a lógica do antagonismo (e portanto, do protecionismo), mas foi inconsistente na hora de aplicá-la, porque sua retórica tinha que pagar pedágio à defesa dos oprimidos contra os opressores”.

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