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Cientistas questionam testes que apontaram eficácia da Sputnik V

Em carta à The Lancet, grupo diz não ter tido acesso a dados brutos dos ensaios clínicos e acusa pesquisadores russos de falta de transparência
Cientistas questionam testes que apontaram eficácia da Sputnik V
Foto: Sputnik

Em carta à revista científica The Lancet, um grupo de nove pesquisadores liderado por Enrico Bucci, da Temple University (EUA), aponta o que chamou de “discrepância de dados” e “relatórios abaixo do padrão” na publicação dos resultados de testes da fase 3 da vacina russa Sputnik V.

Em fevereiro deste ano, a própria Lancet publicou um estudo preliminar de cientistas russos que apontava eficácia de 91,6% do imunizante contra casos sintomáticos da doença.

“O acesso restrito aos dados dificulta a confiança na pesquisa. Ter acesso aos dados que sustentam os resultados do estudo é fundamental para verificar e confirmar os resultados alegados. É ainda mais grave se houver erros aparentes e inconsistências numéricas nas estatísticas e nos resultados apresentados. Lamentavelmente, parece ser isso o que está acontecendo no caso dos testes de fase 3 da Sputnik V”, diz a carta assinada pelo grupo de Bucci.

“Vários especialistas encontraram dados problemáticos nos resultados publicados das fases 1 e 2. Fizemos várias solicitações independentes de acesso ao conjunto bruto de dados, mas elas nunca foram respondidas”, segue a carta, acrescentando que os resultados provisórios da fase 3 “levantam de novo sérias preocupações”.

A carta do grupo termina do seguinte modo:

“Convidamos os pesquisadores, mais uma vez, a disponibilizar publicamente os dados em que suas análises se baseiam. Também convidamos os editores da The Lancet a esclarecer as consequências de continuar negando o acesso aos dados necessários para avaliar os resultados, caso os autores insistam em negá-lo.”

Em abril, a Anvisa recusou pedido de governadores para importar a vacina russa, o que provocou uma crise diplomática.

Leia mais: Enquanto dezenas de países do mundo já iniciaram a vacinação contra a Covid-19, o Brasil patina entre duas vacinas.
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