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Papa Francisco restringe missas em latim e abre nova 'guerra' com conservadores

O pontífice argentino recuperou uma norma que havia sido derrubada por seu antecessor, Bento XVI, e saiu em defesa do Concílio Vaticano II
Papa Francisco restringe missas em latim e abre nova guerra com conservadores
Papa Francisco

Na última sexta-feira (16), o papa Francisco reverteu uma decisão do seu antecessor, Bento XVI, e restringiu as celebrações em latim, o que despertou novas duras críticas ao argentino por parte da ala mais conservadora da Igreja Católica.

Em 2007, o então papa Bento XVI cancelou a regra que exigia que padres pedissem a um bispo autorização para realizar missas no rito anterior ao Concílio Vaticano II, em latim e com vestimentas próprias (mais adornadas), por exemplo.

Francisco decidiu retomar essa obrigatoriedade da “bênção” de um bispo local para o “rito antigo” e acabou impondo outras restrições.

Em carta que acompanhou sua decisão, Francisco alegou que a medida se dá em razão da “defesa da unidade do Corpo de Cristo”, ou seja, da própria Igreja, no entender dos católicos.

Francisco também argumentou que as celebrações em latim têm sido usadas para “reforçar as divergências e incentivar desacordos que ferem a Igreja”.

O Concílio Vaticano II — uma reunião de autoridades da Igreja –, encerrado em 1965, promoveu profundas mudanças no catolicismo. Uma delas foi justamente a possibilidade de missas serem celebradas na língua do país, e com o padre voltado para os fiéis, e não mais direcionado ao altar e de costas para a assembleia.

Ao longo das últimas décadas, as missas, em muitas localidades, foram se transformando em “espetáculo”, com guitarras e baterias no lugar do órgão clássico e, digamos, muitas inovações na chamada liturgia, que nada mais é do que o conjunto das práticas que formam o ritual da missa.

Como natural contraponto a esse movimento e com a alegação de que é preciso resguardar a “sacramentalidade” da cerimônia religiosa, grupos ditos conservadores passaram a recuperar ou fortalecer o rito anterior ao Concílio Vaticano II, conhecido como Missa Tridentina.

O papa Francisco, ao tentar restringir as “missas antigas”, pediu que os padres “não neguem a validade e a legitimidade” do Concílio Vaticano II. O pontífice também se disse “entristecido” com essa divisão e chegou a afirmar que duvidar do Concílio é “duvidar do próprio Espírito Santo”.

Desde o inicio de seu pontificado, em 2013, após a renúncia de Bento XVI — que é papa emérito e continua a morar no Vaticano –, Francisco tem falado em uma “Igreja aberta”, um discurso que, por óbvio, choca com o rito das missas em latim, que, na prática, a despeito de intenções contrárias de seus adeptos, acabam reduzindo o acesso dos fiéis.

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