A gente adora um delator

O Le Monde deu um furo mundial hoje, ao revelar um vastíssimo esquema internacional de fraude fiscal que funcionava na filial suíça do HSBC, o segundo maior banco do mundo. De acordo com a investigação liderada pelo jornal francês e conduzida por 154 jornalistas de 47 países, sob a coordenação do ICIJ (The International Consortium of Investigative Journalists), o HSBC Private Bank de Genebra movimentou, entre 9 de novembro de 2006 e 31 de março de 2007, 180,6 bilhões de euros, de mais de 100 mil clientes e 20 mil empresas offshore. Entre os donos das contas, havia todo o tipo de gente — de traficantes de armas a ditadores e corruptos. Só de brasileiros, havia 5.549 contas que totalizavam o equivalente a 7 bilhões de dólares.

O furo do Le Monde — o SwissLeaks — é mais um desdobramento dos arquivos que, obtidos pelo jornal em 2014, foram originalmente fornecidos a autoridades fiscais francesas por um ex-funcionário do HSBC, Hervé Falciani, em 2008. Antes de entregá-los à França, ele tentou vendê-los, sem sucesso. Na Suíça, que já tentou extraditá-lo, o ex-funcionário do HSBC é acusado de “espionagem econômica”, “roubo de dados” e “violação de segredo comercial e bancário”.

Com a entrega dos arquivos, Hervé Falciani ganhou o prêmio de viver em Paris, sob proteção policial. Ao contrário do advogado Kakay, O Antagonista acha que delações premiadas fazem bem ao mundo.

Hervé Falciani: o bom ladrão

Faça o primeiro comentário

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade é do autor da mensagem.

1200