“Sobre o Islã”, de Ali Kamel

Eu (Mario) estou relendo “Sobre o Islã”, do jornalista e sociólogo Ali Kamel, lançado em 2007. Trata-se de um excelente guia, porque discorre sobre as raízes da religião muçulmana, as suas afinidades com o judaísmo e o cristianismo e as divisões que ocorreram no seu interior.

O outro motivo para ler o livro é que Ali Kamel não tem a menor complacência com o terrorismo. Ao analisar o Alcorão, por exemplo, ele mostra como Osama bin Laden criou versículos que não existem, a fim de justificar a barbárie. Ali Kamel também é premonitório, ao criticar a hesitação da Europa em ajudar os Estados Unidos de George W. Bush no Iraque:

“Os Estados Unidos acudiram a Europa três vezes no século passado, repito, a um enorme custo de vidas e dinheiro, sempre a defendendo de ameaças à liberdade. Na primeira vez em que, atacado, precisou da Europa, ouviu um ‘não’. Reino Unido e outros poucos países mandaram, no máximo, vinte mil soldados. Houvesse de fato uma solidariedade intensa com os Estados Unidos, o número de homens teria sido imensamente maior, e a situação hoje, provavelmente, estaria sob controle. A Europa evita tomar essa atitude temendo se tornar um alvo.

É um engano, porque ela já é um alvo.

Tempos difíceis os nossos. Se o outro lado conhece bem os seus objetivos, e é capaz de morrer por eles, nós, a parte aparentemente racional do mundo, não percebemos sequer de que lado estamos.”

Oito anos depois, o terrorismo islâmico ataca o coração da Europa. Oito anos depois, Reino Unido, Alemanha e Itália titubeiam em ajudar militarmente a França. Oito anos depois, os Estados Unidos de Barack Obama deixam de reconhecer de que lado estão.

Que a editora Nova Fronteira abasteça as livrarias com muitos exemplares de “Sobre o Islã”. Que Ali Kamel lance uma versão atualizada do seu livro.

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