Suíça investiga empresa de criptografia que teria ajudado CIA a espionar países

A Procuradoria da Suíça anunciou nesta terça-feira que abriu uma investigação sobre a empresa Crypto AG, que teria prestado serviços à CIA e ao serviço secreto da Alemanha Ocidental durante décadas, diz o site Swissinfo.

Uma reportagem publicada hoje pelo jornal The Washington Post trouxe mais detalhes a respeito das ligações entre a Crypto e os governos dos Estados Unidos e de dezenas de países ao redor do mundo.

Segundo a publicação, após consolidar sua parceria com os EUA desde que fechou um contrato para construir máquinas de decodificação de códigos secretos para as tropas americanas durante a Segunda Guerra Mundial, a empresa suíça se tornou dominante em sua área, desenvolvendo “dispositivos de criptografia” pelas décadas seguintes.

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A Crypto “faturou milhões de dólares vendendo equipamentos para mais de 120 países, até o século 21”, diz a reportagem do jornal americano. “Seus clientes incluíram o Irã, juntas militares na América Latina, rivais nucleares na Índia e no Paquistão e até o Vaticano.”

De acordo com a reportagem, a partir dos serviços prestados pela empresa suíça, a CIA teria tido acesso a centenas de milhares de mensagens trocadas entre outros governos, embaixadas e comandos militares ao redor do mundo.

O trabalho de espionagem teria continuado pelo menos até 2018. Mais de 100 países teriam sido espionados.

O jornal classifica a operação como o “golpe de inteligência do século” e “um dos segredos mais bem guardados da Guerra Fria”.

Em 2015, uma reportagem da BBC já havia revelado que a Crypto havia sido parceira da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) e também dos serviços de inteligência do Reino Unido durante a Guerra Fria.

Documentos obtidos pelo The Washington Post mostram que, além dos EUA, mais de 120 países utilizaram os serviços da Crypto desde a década de 1950 até os anos 2000.

Segundo o jornal, é possível identificar pelo menos 62 “clientes” em algum momento durante esse período de mais de cinco décadas, entre os quais o Brasil.

Comentários

  • Ruy -

    Fico imaginando o que a China poderá fazer com os tais equipamentos para suportar o 5G.

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