Telegramas dos EUA mostram suspeita de laços de Uribe com milícias

Um funcionário de alto escalão do Pentágono suspeitava que o então presidente da Colômbia, Álvaro Uribe, tinha um histórico de negociações com grupos paramilitares violentos.

A revelação do telegrama é da Associated Press. Uribe está atualmente em prisão domiciliar. Em 18 de agosto, anunciou renúncia ao cargo de senador.

O documento está em uma coleção de registros entregue à Associated Press pela National Security Archive. A organização afirma que os documentos são os primeiros a mostrarem que chegaram aos mais altos níveis do Pentágono as preocupações sobre os laços de Uribe com grupos armados contratados por latifundiários ricos para se protegerem de guerrilhas.

“É quase certo que Uribe teve negociações com os paramilitares (AUC) enquanto governador da Antioquia”, escreveu Peter Rodman, então funcionário de alto escalão no Pentágono, ao então secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, em despacho de 2004. “Faz parte do emprego”.

As Autodefensas Unidas de Colombia (AUC) foram declaradas pelos EUA como grupo terrorista estrangeiro em 2001.

Uribe foi presidente da Colômbia de 2002 a 2010.

A Suprema Corte colombiana está investigando se Uribe pressionou ex-paramilitares para voltar atrás em afirmações ligando o ex-presidente a milícias, em um caso que dividiu o país e trouxe tensões sobre o processo de paz.

Os documentos não incluem descrições específicas de interações diretas entre Uribe e os paramilitares, e não é possivel saber se o governo dos EUA tentou verificar se os laços existiam. Mas dezenas de parlamentares, incluindo vários aliados de Uribe, já foram presos e condenados por laços com as milícias.

Um porta-voz de Uribe afirmou em nota que “a única relação que o Presidente Uribe teve com os paramilitares foi jogá-los na cadeia”.

 

Os documentos foram obtidos pela National Security Archive por meio do Freedom of Information Act, lei americana que inspirou a Lei de Acesso à Informação brasileira.

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