Vamos fazer o Ramadã

“Em 2015, perco meus dentes”. É o que diz a caricatura do escritor Michel Houellebecq no último número do Charlie Hebdo. Em outro balão, ele completa a profecia: “Em 2022, faço o Ramadã”.

Houellebecq está lançando seu último romance, “Submissão”. Trata-se de uma distopia no estilo de “1984”: num futuro próximo, em 2022, a França não é subjugada por um Big Brother orwelliano, e sim pela Irmandade Muçulmana, que assume o poder e impõe sua lei. Depois do massacre na redação do Charlie Hebdo, a primeira parte da profecia já se concretizou. Houellebecq foi posto sob escolta policial porque é ameaçado de perder muito mais do que os dentes – de fato, os assassinos islâmicos planejam tirar-lhe a vida. E a editora Flammarion, que publica “Submissão”, também teve de se submeter ao arbítrio islâmico e ontem à tarde foi completamente evacuada, por questões de segurança.

Houellebecq sempre repudiou as imposturas do multiculturalismo. Não há, para ele, duas culturas: há, de um lado, uma cultura, e do outro apenas aqueles que pretendem suprimi-la. Desde ontem, sua distopia se tornou mais real. 

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