Zuckerberg é gênio da internet e idiota sem princípios

Para falar do Facebook, O Antagonista permite-se uma digressão histórica.
Ataturk foi o primeiro presidente da Turquia. Depois da independência, em 1923, ele ocidentalizou o país e deu aos turcos um Estado secular. Graças ao legado de Ataturk, por décadas, o Ocidente teve na Turquia um amigo e aliado militar, fora os entreveros regionais com a Grécia. 
Durante anos, a Turquia tentou entrar para o que é hoje a União Europeia, e sempre foi impedida, por razões objetivas — democracia frágil, desrespeito aos direitos humanos, fronteira com a problemática Síria, perseguição aos curdos — e, digamos, subjetivas. Trata-se de uma nação de maioria muçulmana, culturalmente muito diferente da Europa cristã. Como se a Romênia ou a Bulgária, que hoje fazem parte da UE, fossem menos alienígenas.
Rejeitada pela Europa, boa parte da população turca tornou-se presa fácil do fundamentalismo islâmico, e lá estamos nós com um pilantra perigoso como presidente da Turquia: Recep Taygip Erdogan. 
Toda essa introdução foi para contextualizar a última de Erdogan: forçar o Facebook a bloquear as páginas que o governo turco considera ofensivas a Maomé. De acordo com o New York Times, que revelou o absurdo, como a rede social de Marc Zuckerberg está empenhadíssima em crescer nos mercados emergentes, entre os quais o turco, o Facebook topou a censura.
Zuckerberg pode ser um gênio da internet, mas é um idiota sem princípios em matéria de liberdade de opinião e expressão. Se tivesse aprendido um pouco de história, saberia o quão perigoso é o precedente.
Na Alemanha de Hitler, judeu era quem os nazistas achassem que era judeu. Na Turquia de Erdogan, páginas ofensivas a Maomé são aquelas que ele acha que são ofensivas a Maomé.

Zuckerberg, colabô da censura turca