11 passos que ligam Trump ao real e à Bolsa

Deixemos o Fla-Flu de lado e vamos ao que interessa: há uma cadeia de eventos que ligam a eleição de Trump à disparada do dólar e à forte queda da Bolsa, hoje. Não se trata de uma conspiração globalista, mas sim de estratégia de mercado. Eis as peças do dominó:

1. Trump defende uma política fiscal expansionista, baseada no corte de impostos;

2. Políticas expansionistas tendem a aumentar a inflação;

3. A perspectiva de mais inflação forçará o Fed a elevar os juros mais do que pretende (ou, pelo menos, em ritmo mais rápido);

4. Antes da vitória de Trump, o mercado atribuía menos de 50% de chances de uma alta dos juros nos EUA em dezembro; agora, subiu para mais de 80%;

5. Os analistas já projetam três, e não mais duas, altas de juros do Fed no ano que vem;

6. As apostas já apontam para títulos americanos de 10 anos com juros de 2,05% (hoje, a taxa americana é de 0,25% a 0,50% ao ano);

7. A perspectiva de que os EUA passem a pagar mais pelos seus títulos de dívida atrai investidores de todo o mundo;

8. Os investidores retiram seu dinheiro de outras aplicações para explorar essa possibilidade de lucro;

9. Na Bolsa brasileira, os estrangeiros são o grupo predominante. Em outubro, movimentaram R$ 173,5 bilhões, entre compras e vendas, quase o dobro dos investidores institucionais, o segundo maior grupo do pregão;

10. Devido ao seu peso, qualquer debandada de estrangeiro rumo à promessa de títulos americanos mais rentáveis faz a Bolsa desabar;

11. Como eles precisam converter seus reais em dólares para sair, o efeito-colateral é a disparada do dólar.

Faça o primeiro comentário