A conta é da Dilma, mas é você quem paga

Dilma está de saída, mas você ainda se lembrará dela pelos próximos oito anos, sempre que pagar sua conta de luz. É do bolso dos consumidores que sairão as indenizações cobradas pelas concessionárias de energia, referentes à desastrosa intervenção de Dilma no setor em 2012.

Ao antecipar (e forçar) a renovação das concessões naquele ano, a petista criou um problemão: muitos investimentos realizados pelas empresas ainda não haviam amadurecido e, portanto, não geraram todo o retorno esperado. Por isso, as companhias passaram a exigir indenizações do governo.

Em abril, no apagar das luzes do governo Dilma, o Ministério de Minas e Energia publicou uma portaria regulamentando o pagamento dessa dívida. Ela deve ser incorporada pelas empresas aos ativos que servem para o cálculo do retorno de seu investimento.

E, como a tarifa ao consumidor é a forma por excelência de o dinheiro entrar nos cofres da concessionária e gerar lucros, é nela que tudo deságua. Há ainda muita divergência sobre quanto isso pesará no bolso dos brasileiros – os cálculos vão de 1% a 2%.

Mas, se a indenização será quitada nos próximos anos, por que as elétricas já colocaram todo esse dinheiro no balanço deste trimestre?

Devido ao regime de competência que rege a contabilidade: todas as receitas e despesas geradas em um certo momento devem ser computadas naquele exercício – pouco importa se o dinheiro entrará ou sairá em prestações.

Só neste trimestre, a Eletrobras contabilizou R$ 17 bilhões, relativos à indenização que receberá. A cifra foi fundamental para o lucro de R$ 12,7 bilhões apresentado ontem.

Outras empresas seguiram o mesmo caminho e já somaram as indenizações a que têm direito nos resultados deste trimestre: para a Cemig, foram R$ 561 milhões. Na Copel, a conta ficou em R$ 978 milhões.

Conclusão: as elétricas estão mostrando, neste trimestre, o tamanho da conta que você pagará no futuro.

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