O BNDES explica o toco que deu na JBS

O BNDES divulgou, há pouco, um comunicado à imprensa explicando por que vetou a reestruturação societária planejada pela JBS.

Em resumo, o banco afirmou que apenas defendeu seus interesses, já que a reestruturação implicaria em transferir, para o exterior, a responsabilidade por 85% da geração de caixa da empresa dos irmãos Batista.

Esse desbalanceamento acarretaria, segundo o BNDES, uma alteração substancial nos deveres da JBS em relação aos acionistas brasileiros.

Eis a íntegra do comunicado:

“O apoio da BNDESPAR à JBS teve início em 2007, por meio de participação acionária e, posteriormente, debêntures conversíveis. À época, a JBS era uma empresa pouco internacionalizada, com receita de aproximadamente R$ 4 bilhões ao ano. Hoje a JBS é uma empresa brasileira líder global no setor de proteínas, com vendas anuais de R$ 163 bilhões e presença em todos os continentes.

A BNDESPAR detém 20,36% do capital social da JBS S/A e é signatária do Acordo de Acionistas da Companhia, que lhe confere certos direitos, dentre eles o direito de veto a reorganizações societárias.

Em relação ao cancelamento da reorganização societária da JBS S/A, anunciado nesta quarta-feira (26/10/2016), a BNDESPAR informa que vetou a operação porque não a considerou como a alternativa que melhor atende aos interesses da companhia e de seus acionistas.

A BNDESPAR, zelando por seus deveres fiduciários enquanto parte da coletividade de acionistas da companhia, age de forma a proteger os interesses da empresa na qual investiu. A reorganização proposta, ao prever a transferência da propriedade de ativos que representam aproximadamente 85% da geração do caixa operacional da JBS para uma companhia estrangeira, implicaria na desnacionalização da empresa e alteraria substancialmente os direitos e deveres conferidos a todos os acionistas, com repercussões de diversas naturezas, e submetendo-os a legislação e jurisdição estrangeiras.

A BNDESPAR reitera seu total apoio à JBS e permanece aberta para avaliar outras alternativas de reorganização societária que venham a ser apresentadas pela companhia.”

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