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Agora, Ibaneis está preocupado

O governador que promoveu festas e foi à praia em meio à pandemia vê o número de casos e de mortes voltar a subir na capital do país
Agora, Ibaneis está preocupado
Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A Covid continua avançando no Distrito Federal. Os índices de transmissão dos últimos dias — atualmente, está em 1,15 — têm sido os maiores desde março.

Nesta semana, o governador Ibaneis Rocha (MDB) se disse preocupado, como registramos.

“Estamos muito preocupados e acompanhando isso bem de perto”, afirmou ele, deixando em aberto a possibilidade de novas medidas restritivas se a situação não melhorar logo.

É o mesmo governador que, em momentos delicados da pandemia no DF, deu festinhas, tirou dias de descanso para ir à praia e à fazenda e desdenhou dos calendários de vacinação divulgados em outros lugares do país.

Em dezembro do ano passado, como noticiamos, quando a vacinação nem sequer havia começado, Ibaneis organizou um almoço em sua mansão no Lago Sul para o então ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. Foi uma aglomeração festiva, com direito à presença do cantor sertanejo Zezé Di Camargo. A turma posou para fotos sem máscaras.

Em junho, quando a vacinação na capital do país ainda estava empacada, Ibaneis, já imunizado, se mandou com a mulher, secretária de Desenvolvimento Social do DF, para a praia no litoral do Piauí, estado onde cresceu.

Enquanto isso, os brasilienses corriam para cidades do entorno goiano ou mesmo para outros estados em busca da vacina contra a Covid. No DF, unidade da Federação muito menor e com logística bem menos complexa que a média das demais, a campanha demorou a andar. Uma das razões foi a decisão política de Ibaneis de, provavelmente pensando em apoio para a sua tentativa de reeleição em 2022, negociar com categorias específicas a inclusão na lista dos grupos prioritários, atrasando o avanço por idade.

Quando se iniciou a campanha, faltou o mínimo de organização e idosos se amontoaram em postos de saúde. As informações oficiais eram truncadas e o agendamento pela internet, abolido mais tarde, apresentou uma série de falhas.

No restante do país, gestores locais divulgavam calendários de vacinação, que foram, em geral, cumpridos. Em Brasília, Ibaneis alegava que estimar datas era algo “ilusório”, configurava “marketing” e servia apenas para “gerar ansiedade” na população. À imprensa local, ele repetia, em cerimônias de inauguração de obras em meio à pandemia, que estava tudo bem.

Nas redes sociais oficias do governo local, Ibaneis celebrou até pintura de parquinhos, ao passo que os brasilienses, trancados em casa em sua maioria, queriam saber de vacina.

Em julho, ele se permitiu organizar uma nova festança, com bastante aglomeração em Uberaba (MG), para comemorar seu aniversário. De novo, muitos convidados postaram fotos sem máscara.

Somente depois de bastante pressionado e alertado dos estragos na avaliação de sua gestão, Ibaneis mudou sua estratégia de comunicação em relação à pandemia e principalmente à vacinação.

O DF soma 502.049 casos de Covid e 10.527 mortes pela doença desde o início da pandemia. Até aqui, 42,47% da população total completaram o ciclo vacinal e 72,62% tomaram a primeira dose. A média móvel de casos e a mediana de mortes estão em alta. Mas os brasilienses podem ficar tranquilos, porque Ibaneis está “preocupado”.

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