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Alckmin prova o método petista

Se ele não aceitar ser vice de Lula, os petistas já têm uma desculpa para o chefão não fazer feio: lançar uma sombra de suspeição sobre o ainda tucano
Alckmin prova o método petista
Foto: Adriano Machado/Crusoé

A leitura dos jornais pode ser divertida. Como Geraldo Alckmin não parece propenso a integrar uma chapa presidencial com Lula, que quer o ainda tucano como vice para tentar capturar os votos dos eleitores de centro e tranquilizar a elite, o PT já começa a fazer hedge, para não parecer que o chefão petista teve a sua oferta recusada unilateralmente e evitar, desse modo, que ele fique mal na fita, como se diz.

É assim que deve ser lida a nota da colunista da Folha de S. Paulo, quando ela escreve que a possibilidade de Geraldo Alckmin ser vice de Lula numa chapa para concorrer à sucessão de Jair Bolsonaro em 2022 gera temor em algumas lideranças do PT: elas veem a possibilidade de a presença do ex-governador estimular tentativas de derrubada de um eventual futuro governo“. E por quê? “De acordo com esse raciocínio, Alckmin é confiável e não faria movimentos para derrubar Lula. Mas o tucano seria um nome palatável para a “direita” e o mercado financeiro, o que facilitaria a movimentação pela queda de Lula caso o governo enfrente uma grave crise“.

É um raciocínio torto escrito por linhas tortas. O problema de Geraldo Alckmin seria, então, ser palatável para quem não está no espectro ideológico do PT. Mas essa não seria a sua vantagem? Não faz sentido, obviamente, a menos que a nota seja entendida justamente como uma porta de saída para Lula, diante da possível negativa de Geraldo Alckmin ao convite para ser seu vice.

Como nem tudo está perdido em relação a Alckmin, porém, o PT faz um hedge em cima do hedge. Completa a colunista: “Já lideranças que apoiam a chapa Lula/Alckmin afirmam que, para cair, é preciso estar em pé. Ou seja, para enfrentar ameaça de impeachment, o petista primeiro precisa se eleger, e a aliança ajudaria a liquidar a fatura até mesmo no primeiro turno“.

Ninguém está preocupado coisa nenhuma com um eventual impeachment de Lula, caso ele seja eleito. Seria uma preocupação despropositada, inclusive porque Lula será inderrubável, a não ser que cometa assassinato. O PT só quer ter uma desculpa para o indistinto público, se Geraldo Alckmin não aceitar a proposta do chefão do partido — ou, ele vier a aceitar, para que possa ser descartado. E, para isso, vale tudo: até lançar uma sombra de suspeição, mas com muita ternura, sobre quem deseja como aliado.

Esse é o método do PT de fazer política. Se Geraldo Alckmin cair na armadilha de Lula, não terá sido por falta de aviso.

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