Bolsonaro e o choro de perdedor

Bolsonaro e o choro de perdedor
Bolsonaro chora (Foto: Marcos Corrêa/PR)

Jair Bolsonaro pode gritar, xingar, chamar seus minions às ruas e até encenar uma articulação pelo impeachment de ministros do Supremo. Ninguém mais liga para as bravatas do presidente da República.

O chilique de hoje cedo é explicável. Bolsonaro colecionou derrotas demais nas últimas semanas, desde que tentou em vão usar as Forças Armadas num autogolpe.

Ontem, com uma canetada, Rosa Weber transformou em pó quatro decretos de Bolsonaro que relaxavam regras e ampliavam limites para a compra de armas por cidadãos.

Cármen Lúcia também liberou para plenário o julgamento de uma notícia-crime que acusa Bolsonaro de genocídio, ao vetar o envio de insumos médicos a indígenas e quilombolas, além de sabotar as medidas de enfrentamento à pandemia.

Na semana passada foi a vez de Alexandre de Moraes, que prorrogou os inquéritos das fake news e dos atos antidemocráticosSem contar a decisão de Edson Fachin que reabilitou Lula politicamente para disputar as eleições de 2022 — cuja liminar será julgada no plenário daqui a pouco.

Ontem, Rodrigo Pacheco fez a leitura do requerimento de instalação da CPI da Covid, mas restringiu as investigações de prefeitos e governadores a “fatos conexos”, reiterando apenas o óbvio. Bolsonaro também foi derrotado na composição da comissão.

A prova definitiva de que o Supremo não vai cair na armadilha de brigar com Bolsonaro fora dos autos foi dada por Luiz Fux na segunda-feira, quando fez um discurso em defesa das instituições sem citar a gravação de Jorge Kajuru.

Os demais integrantes do Supremo viram no episódio apenas um “teatro” para constrangê-los, visto que o presidente foi incapaz de soltar um palavrão em meia hora de conversa gravada.

“Ele quer crise, que é a forma dele falar aos eleitores dele. Em vez de arregaçar as mangas para trabalhar, neste momento da pandemia, ele fica gerando crises. Não entro nessa”, resumiu o decano Marco Aurélio Mello em conversa com o repórter Renan Ramalho.

Esse diagnóstico inclui, obviamente, a tomada do Executivo pelo Centrão, por meio do controle do orçamento e dos cargos na Esplanada. E um superpedido de impeachment que está sendo costurado na Câmara.

Só restou a Bolsonaro gritar, xingar, chamar seus minions às ruas e até encenar…

 

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