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Bolsonaro encolheu neste 7 de Setembro

Ele sai de hoje menor do que quando entrou, e a sua fala golpista deveria ser a gota d'água para a abertura do processo de impeachment
Bolsonaro encolheu neste 7 de Setembro
Reprodução: Jair Bolsonaro/Facebook

Até o momento em que escrevo este artigo, as manifestações dos apoiadores de Jair Bolsonaro foram um retumbante fracasso. Em Brasília, esteve longe de ser gigantesca; no Rio de Janeiro, também não foi a maior já registrada; em Belo Horizonte, mostraram-se fracas; em São Paulo, ao que parece, a multidão não deverá ocupar os quarteirões da Avenida Paulista da maneira esperada. Seja como for, como não conseguirá colocar dois milhões de cidadãos nas ruas, de acordo com o que pretendiam os seus acólitos, pode-se dizer que o presidente da República sai deste 7 de Setembro ainda menor do que quando entrou. Encolheu.

É uma falácia dizer que o impeachment de Jair Bolsonaro causaria comoção popular digna de maiores preocupações. Não ocorreu com a prisão de Lula, como se temia, não ocorrerá com a destituição de Jair Bolsonaro pelo caminho constitucional do impeachment. A fala golpista do presidente da República diante dos manifestantes em Brasília, hoje de manhã, deveria ser a gota d’água para a abertura do necessário processo de impeachment do ocupante do Palácio do Planalto. Em São Paulo, agora à tarde, ele pode repetir a dose, se vier a falar à sua claque ensandecida. Por muito menos, outros presidentes perderam o mandato desde o início da Nova República.

O cálculo de que a destituição de Jair Bolsonaro o vitimizaria indevidamente, fortalecendo-o, não faz sentido. Ele já se vitimiza cotidianamente e cada vez menos brasileiros caem nessa esparrela, como mostram as pesquisas sobre o seu grau de aprovação. Os que receiam que o seu impeachment aumentaria a instabilidade institucional ignoram a realidade de que Jair Bolsonaro vem tentando romper faz tempo com a ordem constitucional, ao pregar abertamente o golpe contra a democracia, para escapar da Justiça, juntamente com os seus filhos. Nunca se viu nada igual. É crime de responsabilidade atrás de crime de responsabilidade, todos cometidos à luz do dia. Os que têm medo de que o impeachment de Jair Bolsonaro afetaria indelevelmente a economia deixam de lado que a sua permanência no Palácio do Planalto já é motivo de danos gravíssimos, traduzidos em carestia, reformas abortadas, miséria crescente e falta de confiança de investidores e empresários num país dirigido por um lunático e refém de uma base parlamentar corrupta. Em relação à pandemia, o estrago causado pela sociopatia do presidente da República é, infelizmente, irreversível, e a sua manutenção no cargo configura até prêmio pelas mortes que causou.

Nada mais é preciso para retirá-lo do poder. Está mais do que evidente que é impossível governar com ele. Jair Bolsonaro só se equilibra no Palácio do Planalto por conveniências eleitoreiras de uma oposição que o quer ver exangue na eleição de 2022, pelo apetite insaciável dos fisiológicos que o sustentam politicamente e por interesse de gente desvairada que também habita a Praça dos Três Poderes. Todos esses lados estão atentando contra o país.

As condições estão dadas para o impeachment de Jair Bolsonaro. É um instrumento legítimo que deve ser usado outra vez. Que seja sumário. O país não suporta mais um ano e meio, quase, com um agitador profissional como presidente da República. Os que mamam nas tetas do governo têm de entender que a vaca esquelética está indo para o brejo.

Atualização: de acordo com a PM de São Paulo, Jair Bolsonaro reuniu 114 mil manifestantes na Avenida Paulista, onde elevou o tom do discurso golpista feito mais cedo em Brasília e afirmou que não cumpriria mais decisões judiciais do ministro Alexandre de Moraes, o que configura crime de responsablidade. Ainda que tenha sido o triplo de 114 mil manifestantes, foi muito menos gente do que os bolsonaristas pretendiam juntar. Impeachment nesse arruaceiro.

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