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Bolsonaro está certo; "não são três Poderes, mas dois"

Cevado pelo Palácio do Planalto com 11 bilhões em emendas, Arthur Lira submete o Legislativo ao Executivo, aprofundando a distorção institucional que vivemos
Bolsonaro está certo; “não são três Poderes, mas dois”
Foto: Alan Santos/PR

O discurso de Arthur Lira, que não cogita abrir o impeachment, mostrou que Jair Bolsonaro estava certo quando disse, no fim de agosto, que “não são três Poderes, mas dois”. Segundo o presidente da República, “Executivo e Legislativo trabalham em harmonia”. A harmonia entre Bolsonaro e Lira, porém, tem peso importante na desarmonia institucional que vivemos.

Não é preciso lembrar que o Legislativo tem o dever constitucional de fiscalizar o Executivo.

Além de se omitir diante dos incontáveis crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente da República, Lira impõe ao resto da Câmara sua vontade pessoal, reproduzindo o comportamento autoritário de Bolsonaro; o que faz também ao ignorar solenemente o recado do chefe do Judiciário — o terceiro Poder.

Em sua defesa, o presidente da Câmara se arvora o papel de pacificador da República e cumpridor de acordos.

Em relação ao segundo item, é preciso reconhecer que o deputado do PP tem sido fiel ao casamento de Bolsonaro com o Centrão, do qual é um dos principais líderes — ao lado de Ciro Nogueira, que hoje comanda a Casa Civil.

O dote de R$ 11 bilhões em emendas justifica a fidelidade, expressada também numa agenda de votações aceleradas de temas que interessam ao Palácio do Planalto.

O método de Lira inclui relativizar os ataques às instituições, classificadas por ele de meras “bravatas virtuais”, e simular indignação, como fez em relação às novas falas do presidente sobre o voto impresso.

De resto, finge demência ao criticar “a gasolina a R$ 7, o dólar valorizado em excesso e a redução das expectativas”, calando-se sobre os caminhoneiros bolsonaristas que estão bloqueando as rodovias de escoamento da produção nacional.

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