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Bolsonaro pode vencer em 2022?

Lula anda dizendo que sim (o que lhe é muito conveniente), mas parte do mercado também não dá o presidente como morto politicamente. O que é possível afirmar
Bolsonaro pode vencer em 2022?
Foto: Adriano Machado/Crusoé

José Casado noticia que, em conversa com governadores e parlamentares do Nordeste, Luiz Inácio Lula da Silva repetiu o que vem dizendo a seus correligionários que entraram no clima de já ganhou: Jair Bolsonaro ainda pode recuperar-se e ser reeleito em 2022, apesar de as pesquisas eleitorais divulgadas pela imprensa mostrarem o contrário. “Quem está sentado na cadeira de presidente nunca está morto na política, tem poder para fazer muita coisa”, afirma o chefão petista.

Como lembra o jornalista, Lula tem conhecimento de causa. Em 2006, quando era dado como morto politicamente, ele conseguiu reeleger-se. “Escapou do impeachment na crise do mensalão, foi à luta com a caneta e o Diário Oficial na mão”, diz José Casado.

Lula quer Jair Bolsonaro no segundo turno e a recíproca é verdadeira. Há muito de desejo no alerta do chefão petista, portanto, como nota o jornalista. Mas a possibilidade de reeleição do atual inquilino inadimplente do Planalto é levada a sério também por parte do mercado financeiro, como pude constatar. Nas apostas, Jair Bolsonaro não é considerado carta fora do baralho, e pesquisas feitas para clientes privados, não divulgadas pela imprensa, mostram que será preciso que Ciro Gomes e outro candidato com alguma corpulência eleitoral tenham um desempenho muito abaixo do projetado, para que Lula vença no primeiro turno. O raciocínio dessa parte do mercado é que nunca um presidente deixou de ser reeleito, desde o advento da Nova República, justamente por causa da força da caneta. Até pouco tempo atrás, certo pessoal da Faria Lima e adjacências acrescentava a esse fato histórico uma circunstância que, até o momento, não se desenhou no horizonte: de o país experimentar um crescimento econômico, em 2022, capaz de fazer diferença para parte expressiva da população, hoje açoitada pelo desemprego e uma inflação que, na vida real, já antecipou a estatística e ultrapassa os dois dígitos. Um crescimento que tenderia a beneficiar Bolsonaro, evidentemente.

O que posso dizer é que, se é verdade que nunca um presidente deixou de ser reeleito na história recente do país, também é verdade que nunca houve um presidente como Jair Bolsonaro, que uniu o pior de vários mundos. Em 2006, a mancha da corrupção do governo Lula foi lavada pela bonança na economia. Em 2022, ao que tudo indica, não haverá bonança nem mesmo aparente para lavar a sociopatia e o desgoverno quase que completo do atual presidente. O crescimento, se houver, será pífio. Além disso, em 2006, Lula enfrentou no segundo turno o tucano Geraldo Alckminum candidato tão ruim, mas tão ruim, que cometeu a proeza de conseguir menos votos no segundo turno do que no primeiro turno. Bolsonaro, se passar no primeiro turno, enfrentará o chefão petista, que está sendo encarado, por grande parcela do eleitorado, como o menor dos males entre os dois. De antipetista, essa parcela passou a ser antibolsonarista. E ela dificilmente mudará de opinião, a julgar pelas mesmas pesquisas feitas para clientes privados, não divulgadas pela imprensa (pesquisas estimuladas, não espontâneas, cujo número de indecisos é sempre muito maior, deixe-se claro). Diante desse quadro, nem o Centrão acredita na reeleição do seu refém.

Quanto à Terceira Via, cuja existência Lula e Bolsonaro tentam decretar a inexistência desde já, acredito que ela só terá chance se um nome viável de ser trabalhado apresentar-se até o final do ano, ou início do próximo, o mais tardar. A eleição presidencial de 2022 é diferente de todas as outras, não apenas por causa das implicações devastadoras da pandemia e pela polarização peculiar que vivemos, mas porque a campanha começou um ano antes e não é verdade que ela esteja apenas nas redes sociais.

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