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Fique à vontade, Maranhãozinho, a impunidade venceu

No país que condena pobre a ser preso por roubar pote de manteiga ou água, um Josimar de Maranhãozinho pode cair de boca em dezenas de milhões de reais
Fique à vontade, Maranhãozinho, a impunidade venceu
Reprodução/Crusoé

No país que condena pobre esfaimado a ser preso por roubar pote de manteiga ou quebrar lacre de registro para conseguir água, um Josimar de Maranhãozinho pode cair de boca em dezenas de milhões de reais de verbas de emendas parlamentares, destinar a bufunfa para si próprio por meio de empresas de fachada que prestariam serviços a prefeituras e, por fim, esbaldar-se com bolsas, mochilas e pacotes de dinheiro vivo. É o que mostra — com imagens — a estarrecedora reportagem de capa da Crusoé, assinada por Rodrigo Rangel e Paulo Cappelli. A estimativa é que, no total, o deputado honesto tenha desviado mais de 100 milhões de reais para o seu esquema. Como definiu a revista, é um escracho.

As imagens de Josimar de Maranhãozinho com a mão na gaita surrupiada são de 27 outubro do ano passado. Foram feitas no âmbito de uma investigação sigilosa da Polícia Federal e autorizadas pelo ministro Ricardo Lewandowski, do STF. Ou seja, datam de mais de um ano atrás. O que foi feito de lá para cá, com tanto secretismo, para evitar que o sujeito continuasse metendo a mão — supostamente, né? — no dinheiro do pagador de impostos? Nada.

Em meio à roubança desenfreada — suposta roubança, né? –, Josimar de Maranhãozinho cresceu ainda mais à sombra de Jair Bolsonaro e, veja só, quer se candidatar ao governo do seu estado natal, o Maranhão, pelo PL, o novo partido do presidente da República — aquela organização comandada por Valdemar Costa Neto, da qual o mensaleiro foi demitido, para ganhar indenização, e readmitido logo em seguida, com o mesmo salário de 33 mil reais, porque é preciso manter isso aí, viu. A própria Crusoé trouxe a história hoje, em outra reportagem.

Josimar de Maranhãozinho compareceu ao evento de filiação de Jair Bolsonaro à sua organização, vulgarmente conhecida como partido político, e antes disso esteve com o presidente da República algumas vezes. Devem ter sido encontros de almas terrivelmente honestas, assim como boa parte das reuniões feitas em Brasília, sejam elas dentro ou fora das agendas oficiais.

Depois da publicação da reportagem, Josimar de Maranhãozinho gravou um vídeo, divulgado nas suas redes sociais, no qual tenta explicar as imagens que o mostram com maços de dinheiro roubado nas mãos, que eram guardados no seu escritório. Disse o finório: “Todos vocês sabem que eu sou empresário, mas mesmo assim nossos adversário (sic) usa esse momento para tentar mais uma vez nos agredir, sujar a nossa imagem, a nossa honra, de homem sério trabalhador, porque todo Maranhão sabe que, quando entrei na política, já era empresário, já era pecuarista. E agora postaram imagens adquiridas ilegalmente de um inquérito que é sigiloso, que ainda não sei como eles conseguiram essas imagens. Tudo o que nós temos é declarado, inclusive esse dinheiro em espécie está declarado no meu imposto de renda, todo ano declaro meu imposto de renda e rigorosamente pago meus impostos”.

O tipinho fez fortuna na política, o que está longe de ser exceção. A desculpa foi pró-forma, senhoras e senhores, porque os Josimares de Maranhãozinho ou qualquer outro inho não têm com o que se preocupara impunidade venceu neste país de desgraçados em mais de um sentido. O Estado de Dinheiro derrotou a Lava Jato e está tudo aparelhado. Corridinha com mala cheia de grana, apartamento para guardar dezenas de milhões de reais em espécie, senador com notas escondidas no rabo, assessor com dólares na cueca, desvios de bilhões de reais de estatais, gatunagem com emendas parlamentes: escolha a sua modalidade, excelência, e fique à vontade. Escândalo mesmo é pobre esfaimado roubar pote de manteiga ou quebrar lacre de registro para conseguir água.

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