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Lula joga parado, enquanto a terceira via se desmancha

O chefão petista pode ser eleito em 2022 por falta de adversários à altura (e por um presidente que tentará um golpe). Seria a terceira margem do rio
Lula joga parado, enquanto a terceira via se desmancha
Foto: Ricardo Stuckert/Fotos Públicas

O ex-condenado Lula nem precisa fazer muitas articulações nestes momento: joga parado para ser eleito em 2022, enquanto os seus sequazes volta e meia aglomeram-se nas ruas, para manter o agito, sabe como é que é, com a ajuda das garotas assanhadas do neolulismo que abundam nos jornais. A terceira via se desmancha e os potenciais adversários do chefão petista saem de cena pouco a pouco.

Luciano Huck oficializou a sua ida para o Palácio do Faustão, para surpresa de ninguém, em movimento antecipado por este site. É de se imaginar que o seu namoro com a política deve ter valorizado o seu passe. Sergio Moro foi fritado pela imprensa petista, que divulgou as mensagens roubadas da Lava Jato, e por Jair Bolsonaro e os seus sequazes, ao ser forçado a pedir demissão do Ministério da Justiça e Segurança Pública e sofrer intensa campanha de calúnia e difamação. Ele ainda conta com grande aprovação popular, mas é odiado pelos políticos. Não teria palanques suficientes, portanto. Em 2022, será um grande eleitor. João Doria, dono de autoestima a ser examinada cientificamente, ainda continua a acreditar em si próprio, mas boa parte do seu próprio partido não gosta dele, como ficou provado na definição de como serão as prévias do PSDB, e prefere Lula ao marqueteiro da Coronavac. FHC já deixou isso claro ao abraçar o chefão petista. Ninguém, afora os doristas, torce o nariz para Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, é verdade. Nem para Tasso Jereissati, o “Biden brasileiro”.  Ambos podem contar com o apoio do ressurrecto Aécio Neves. Os motivos que movem os tucanos, contudo, são insondáveis e não é que eles sejam conhecidos pela capacidade de projetar a realidade para além do comprimento dos seus bicos. A verificar.

Luiz Henrique Mandetta permanece no páreo, mas cada vez menos. O seu partido é o DEM, agora comandado por ACM Neto, um gênio da raça que comete expurgos na agremiação, para agradar a Jair Bolsonaro. Os motivos de ACM Neto são paroquiais, na mais benigna das hipóteses, o que mostra o quanto ele é estadista. Mandetta se prepara para sair do partido (ele nega) e conversa com Gilberto Kassab, do PSD — que tenta atrair o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco, também do DEM, para ser o seu candidato à Presidência da República. Kassab, que não pode ser subestimado, está enxergando uma possibilidade ainda invisível a boa parte dos seus pares no presidente do Senado. Mandetta, a quem chamei de “ursinho carinhoso da terceira via”, ainda tem um bom recall por causa da sua atuação no enfrentamento da pandemia, mas, segundo fontes ouvidas por mim, pesaria contra a sua candidatura o fato de ter sido ministro de Jair Bolsonaro. O sociopata é cepa altamente contagiosa até mesmo para quem resolveu romper com ele. Se não encontrar quem apoie a sua candidatura ao Planalto fora do grupo de WhatsApp da terceira via, Mandetta pode tentar um governo estadual ou o Senado, para o qual seria eleito com tranquilidade.

Ciro Gomes, por sua vez, que nunca foi terceira via coisa nenhuma, já sente o seu tapete sendo puxado pelo próprio partido, o PDT. Contra isso, nem o Feira faz milagres.

A cada “motociata” promovida pelo presidente da República, os olhos de Lula devem marejar de alegria. Só tem maluco no pedaço e muito poucos — tanto que a máquina de propaganda bolsonarista tenta transformar poucos milhares em milhão, o que é claro sinal de desespero. Nem mesmo a distribuição de dinheiro entre pobres deve mudar o quadro de degradação da imagem de Jair Bolsonaro. A sombra de 600 mil mortos ou mais o arrasta para o fundo do inferno não apenas eleitoral. É por isso que o camarada anda tramando um golpe.

O ex-condenado Lula joga parado e, como também eu já disse, pode vir a ser a terceira via transformada em terceira margem do rio, por falta de adversários.

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