Nem Gilmar Mendes faria melhor do que Edson Fachin

Nem Gilmar Mendes faria melhor do que Edson Fachin
Foto: José Cruz/Agência Brasil

A esta altura do campeonato, só ingênuos podem acreditar que a Justiça Federal do Distrito Federal, encarregada por Edson Fachin de julgar a partir do zero as ações de Lula, acabará condenando o petista por corrupção e lavagem de dinheiro. Vai deixar prescrever, como de hábito ocorre, e de qualquer forma não daria tempo de sentenciá-lo e torná-lo inelegível. Só ingênuos também podem acreditar que o plenário do STF, provocado pela PGR, revogará a decisão monocrática de Fachin de anular as condenações de Lula, especialmente no contexto em que vivemos.

A pretexto de salvar a Lava Jato e a pele de Sergio Moro da suspeição que lhe seria infligida, se foram mesmo apenas essas as intenções, Fachin desferiu o golpe de morte na operação. O relator da Lava Jato, pois é. Muita estratégia, quando é grande, come o dono, inclusive. Nem Gilmar Mendes faria melhor. Se a 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba nunca foi competente para julgar as ações de Lula, por não terem ligação direta apenas com a roubalheira cometida na Petrobras, na tese malandra que prevaleceu na Segunda Turma, então os procuradores da Lava Jato e o então juiz Sergio Moro levaram adiante, na força bruta, processos espúrios ao longo de quatro anos, e com a anuência de todas as instâncias que confirmaram a culpa do petista. Suspeição seria pouco. A decisão de Fachin basicamente desacredita a Justiça brasileira como um todo. O “voto vencido” em outras votações sobre a competência da 13ª Vara Federal Criminal de Curitiba finalmente se juntou aos vencedores. Quando todo mundo está errado, ninguém está certo.

Mais uma vez o STF mostra ser a maior fonte de insegurança jurídica do Brasil. E de insegurança política também. Só ingênuos creem que não. A corrida populista pela cadeira presidencial entra em ritmo desabalado a partir de hoje. Ninguém além de petistas e bolsonaristas tem o que comemorar. Que Deus nos ajude.

Leia mais: Assine a Crusoé e apoie a o jornalismo independente.
Mais notícias
Comentários desabilitados para este post
TOPO