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No mau teatro da Segunda Turma, m... para vocês

No mau teatro da Segunda Turma, m… para vocês
Foto: STF

A Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal protagonizou outro teatro de má qualidade ao declarar a suspeição de Sergio Moro nos processos de Lula. Os três ministros que consideraram o ex-juiz parcial afirmaram que não estavam julgando o habeas corpus da defesa do petista com base nas mensagens roubadas da Lava Jato pelos hackers. Gilmar Mendes as qualificou como “reforços argumentativos”, assim como Ricardo Lewandowski. Cármen Lúcia, que mudou o voto, também disse que elas eram apenas moldura. As causas da suspeição de Moro, de acordo com o trio, teriam sido os elementos elencados pela defesa de Lula, como a condução coercitiva, as interceptações telefônicas de familiares e advogados do petista, a divulgação do áudio da conversa entre Lula e Dilma Rousseff sobre a nomeação dele para a Casa Civil, o levantamento do sigilo da delação premiada de Antonio Palocci e até a nomeação do ex-juiz para o Ministério da Justiça, como retribuição de Jair Bolsonaro pelo condenação de Lula, na versão da defesa do petista. Encenação de má qualidade, repita-se: quase todos esses elementos já constavam da petição inicial da defesa de Lula e foram objeto de recursos sucessivamente negados. O que mudou da condenação no caso do triplex para cá? O aparecimento demiúrgico das mensagens roubadas.

O material criminoso não periciado, o seu uso retórico por certa imprensa e também por Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski, que permitiu o acesso às mensagens pela defesa de Lula, que passou a vazar convenientemente aquilo que não havia sido divulgado — foi isso, e apenas isso, que serviu de pretexto para a virada de mesa que ocorreu hoje no palco da Segunda Turma, com spoilers aqui e ali desde há muito. Vale ressuscitar Lula para tentar enterrar Bolsonaro, não é?

Depois do acesso de fúria do germanista Gilmar Mendes contra o piauiense Kassio Marques, que deixou claro que as mensagens roubadas estavam na base da suspeição de Moro e que o uso de material criminoso por um tribunal era inaceitável, sobreveio a candura de Cármen Lúcia, não para fazer contraste e sim para completar o serviço. A ministra teve a suavidade de dizer que a suspeição do então juiz era apenas em relação a Lula, não podendo ser estendida a outros processos julgados por Moro. É mesmo, Carminha?

Resumo da peça: Moro agora é oficialmente suspeito e Lula, o homem mais inocente do Brasil, quiçá do mundo, uma vítima do ex-juiz autoritário e caviloso, bem como dos procuradores soviéticos da Lava Jato que o denunciaram. No mau teatro da Segunda Turma, haverá a partir de agora outros atores interpretando os mártires no palco. Merda para vocês.

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