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O agricultor Chalita e o campesinato petista

Como consultor, ele tenta aproximar Geraldo Alckmin de Lula e Haddad. E arrasta jornalistas para uma plantação de talvez sim, talvez não
O agricultor Chalita e o campesinato petista
Reprodução/Redes Sociais

Esqueçam tudo o que já foi dito por Geraldo Alckmin a respeito de Lula, o seu adversário no segundo turno da eleição presidencial de 2006 — e vice-versa. Os dois agora seriam os melhores amigos de uma longínqua infância. Lula estaria adorando a ideia de Geraldo Alckmin, candidato ao governo de São Paulo, filiar-se ao PSD, de Gilberto Kassab, e estaria conversando com o ex-adversário, como publica O Globo, sobre a possibilidade de se unirem contra o tucano João Doria, que quer chegar ao Palácio do Planalto, e o seu preposto, Rodrigo Garcia, que deve se candidatar ao Palácio dos Bandeirantes. O namoro estaria tão quente que Gabriel Chalita, de acordo com a Veja, organizou um jantar de Geraldo Alckmin com Fernando Haddad, o eterno poste de Lula. Não na sua casa desta vez, mas na cobertura do CEO da Qualicorp, Bruno Blatt, a quem Gabriel Chalita, que foi secretário tanto de Geraldo Alckmin como de Fernando Haddad, está prestando consultoria.

Gilberto Kassab acha viável lançar Rodrigo Pacheco, que acaba de ser absorvido pelo PSD, ao Palácio do Planalto. Mas será mesmo que ele acha? Gilberto Kassab também tem evitado mostrar proximidade com Lula. Mas será que eles não podem aproximar-se? Essas conversas de Geraldo Alckmin com Lula e Fernando Haddad fazem pensar o contrário.

Como livre pensar é só pensar, fico aqui matutando, por exemplo, se um eventual acordo em São Paulo não poderia levar a uma aliança nacional, com Lula como cabeça de chapa e Rodrigo Pacheco como seu vice. O chefão petista adorou ter um mineiro como vice — o doce de leite José Alencar — e talvez queira repetir a dose. E, para o pragmático Gilberto Kassab, ter um vice-presidente para chamar de seu não seria nada mau.

Mas talvez eu tenha dado asas demais à minha imaginação. Talvez Geraldo Alckmin acabe se filiando à União Brasil, não ao PSD, embora Gilberto Kassab vá continuar a apoiá-lo para o governo de São Paulo. Talvez Geraldo Alckmin verifique, não importa o seu partido, que a demasiada intimidade com o PT afugentaria uma grande massa de eleitores paulistas antipetistas. Talvez Geraldo Alckmin esteja conversando menos com Lula do que foi noticiado. Talvez Gilberto Kassab não esteja pensando agora em aliança com Lula no plano nacional, e que ele acredite mesmo, até o limite de uma adesão possivelmente inevitável, que o chefão petista pertence ao passado. Talvez Gilberto Kassab queira mesmo fazer Rodrigo Pacheco presidente. Talvez Gilberto Kassab continue odiando Gabriel Chalita.

Talvez tudo não passe de fruto de plantação do agricultor (e consultor) Gabriel Chalita, em combinação com o campesinato petista.

Talvez nada disso tenha a menor importância.

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