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O radicalismo é inerente ao lulopetismo

Os "segmentos radicais" que agrediram Ciro Gomes na Avenida Paulista são apenas a expressão mais estridente do caudilhismo de Luiz Inácio Lula da Silva
O radicalismo é inerente ao lulopetismo
Reprodução/Instagram

É simplesmente mentira que foram “segmentos radicais” do lulopetismo que agrediram Ciro Gomes na Avenida Paulista, no domingo. Eles são apenas a expressão mais estridente do radicalismo inerente ao lulopetismo.

O lulopetismo é um caudilhismo no qual a vontade e as conveniências do seu líder máximo, Luiz Inácio Lula da Silva, são o único norte. A própria história interna do Partido dos Trabalhadores ilustra o fato: todas as tendências que ousaram, ainda que timidamente, desafiar o chefão foram solapadas. Para tanto, Luiz Inácio Lula da Silva contou com a prestimosa colaboração do comissário José Dirceu, principalmente, que usou de métodos castristas para moldar a “democracia interna” petista aos ditames do líder máximo. Uma vez domadas as vozes dissonantes, impôs-se a realpolitik que permitiu a Luiz Inácio Lula da Silva chegar à presidência da República e fazer as alianças espúrias necessárias ao projeto de poder que pretendia corroer a democracia brasileira por dentro, por meio da corrupção institucionalizada.

A prisão de Luiz Inácio Lula da Silva só fez exacerbar o culto à personalidade que é aspecto primordial do caudilhismo. A campanha do poste Fernando Haddad, em 2018, não poderia ser mais exemplar nesse sentido, com toda aquela gente disposta a renunciar ao próprio rosto para manifestar-se com o do líder máximo, em máscaras de papelão. A soltura de Luiz Inácio Lula da Silva foi o coroamento da hagiografia lulopetista, construída a partir do mito operário e que passou a contar também com um mártir ressurrecto.

Luiz Inácio Lula da Silva é um caudilho que, se eleito presidente em 2022, partirá, com ferocidade amplificada pelo espírito de vendeta, para cima dos seus adversários, a pretexto de combater o bolsonarismo, esse protocaudilhismo mambembe de direita que subiu dos infernos para a alegria lulopetista. Já velho, a sua missão será, ainda, a de fazer um sucessor à altura das aspirações autoritárias da organização construída à sua imagem e semelhança. Não será uma Dilma Rousseff, que deveria servir apenas como tampão para a volta triunfal de Luiz Inácio Lula da Silva depois de oito anos, mas se revelou um desastre ferroviário — e, sem noção, até sonhou peitar o chefão. O caudilho precisa de um Nicolás Maduro inzoneiro.

O lulopetismo endurecerá, mas sem parecer que perde a ternura, como lhe é brasileiramente próprio, no caso de os eleitores caírem outra vez no conto do vigário. E, de vez em quando, lançará mão de “segmentos radicais”,  para mostrar que tem dentes.

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