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O verdadeiro amortecedor da República

Temer não é um anjo, diria Joesley Batista. Mas tem sensibilidade para reconhecer que certos limites institucionais não podem ser rompidos, sob o risco de implodir o próprio sistema que lhe serve
O verdadeiro amortecedor da República
Foto: Beto Barata/PR

Ao tomar posse, Ciro Nogueira disse que teria o papel de amortecedor entre os Poderes. Deve ser daqueles recondicionados que se compra em desmanche de veículos — desde que assumiu o cargo, o ministro tratou mesmo dos seus próprios interesses.

O verdadeiro amortecedor da República é Michel Temer, como demonstra a articulação que levou Jair Bolsonaro a se humilhar publicamente para evitar o impeachment.

Temer não é um anjo, diria Joesley Batista. Mas tem a sensibilidade para reconhecer que certos limites institucionais não podem ser rompidos, sob o risco de implodir o próprio sistema que lhe serve.

Como revelou Carlos Marun a Diego Amorim, a necessidade de se debater o impeachment de Bolsonaro após seu discurso criminoso na Av. Paulista deixou o ex-presidente preocupado.

Temer conhece como poucos a arte da sucessão pela via político-jurídica, tendo derrubado Dilma Rousseff sem sujar as mãos — o trabalho ficou com Eduardo Cunha, depois abandonado à própria sorte –, e sob o olhar atônito da até então poderosa militância petista.

No imbróglio atual, o ex-presidente também se sentiu pessoalmente motivado a intervir, uma vez que é amigo de Alexandre de Moraes, seu indicado ao Supremo, e conselheiro de Jair Bolsonaro.

Como advogado que é, Temer se solidariza com Bolsonaro em relação ao “ativismo político do Judiciário”, que, segundo ele, começou com a TV Justiça e se intensificou com as redes sociais, que, por sua vez, retroalimentam os ataques ao próprio Supremo, criando “um ciclo vicioso”.

“Um presidente da República tem muito poder, ele impõe a agenda da Nação. Você não pode usar essa agenda para criar um estado de excitação para produzir anarquia e confusão”, comenta um interlocutor de Temer, veterano da política.

A gota d’água para agir, claro, foram as queixas da própria elite econômica de São Paulo, desnorteada com a falta de perspectiva, o que se acentuou com a paralisação de caminhoneiros, num movimento estimulado por boa parte do agronegócio.

Segundo esse mesmo interlocutor, “temos que chegar ao ano que vem pelo menos”. Isso, claro, vale para o próprio Bolsonaro e seus filhos, que podem acabar na cadeia com o resto de sua militância mais histérica.

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