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Obrigado, Tarcísio

Como D. Pedro I, no filme Independência ou Morte, o ator proporcionou a melhor tarde da minha infância, no longínquo 1972
Obrigado, Tarcísio
Reprodução

Com o seu porte principesco, rosto quadrado e sorriso franco, Tarcísio Meira proporcionou a melhor tarde da minha infância.

Foi em 1972, quando eu contava 10 anos e fiz o primeiro programa de filho de um desquite (ainda não havia divórcio no Brasil): sair com o meu pai, para assistir ao filme Independência ou Morte, no qual Tarcísio Meira interpretava D. Pedro I. Glória Menezes era a Marquesa de Santos, amante na ficção e mulher na vida real.

Para ir ao cinema com o meu pai, que revia depois de alguns meses, ganhei uma calça boca de sino, como era moda na época, e uma camiseta moderninha, colada ao corpo. O tênis de lona azul também era novo. Na hora combinada, o meu pai me pegou na casa da minha mãe e rumamos para o Cine Belas Artes, na esquina da Consolação com a Paulista. Fomos de ônibus, em viagem que durou uns quinze minutos, não mais do que isso. Mas foi como dar a volta ao mundo, um mundo ensolarado e risonho, que abraçava pai e filho.

No papel de D. Pedro I, Tarcísio Meira era o melhor ator desse mundo. Estava igualzinho à figura dos decalques que éramos obrigados a comprar na papelaria ao lado do grupo escolar, para ilustrar o caderno de história. A cena do Grito do Ipiranga reproduzia com fidelidade o quadro de Pedro Américo, o que causou grande empolgação na plateia cheia de crianças acompanhadas dos seus pais e das suas mães. Eu tinha apenas um deles, mas estava tão feliz de ter o meu pai ao lado, finalmente, que era como se os dois estivessem comigo. E, para completar, havia aquele D. Pedro I magnífico aos meus olhos de menino, desafiando os portugueses e gritando independência ou morte. Independência e vida.

O programa foi só este: uma sessão de cinema, com chocolate comprado na bombonière do Cine Belas Artes. Mas não precisava de mais nada.

Obrigado, Tarcísio.

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