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Os Estados Unidos precisam fazer uma intervenção sanitária no Brasil

Os Estados Unidos precisam fazer uma intervenção sanitária no Brasil
Foto: Michael Appleton/Mayoral Photography Office

Se a vacinação prosseguir no ritmo previsto, os americanos terão imunizado a inteira população adulta do país até julho. Na Europa, onde os governos ainda batem a cabeça com a falta de vacinas e planejamento, espera-se que tudo entre logo nos trilhos e que metade da população das diferentes nações da UE esteja imunizada até o final do verão no Hemisfério Norte.

Como o governo brasileiro não encomendou vacinas suficientes quando deveria tê-lo feito, ficamos para trás na fila das vacinas da Pfizer, Moderna e Janssen, as mais efetivas contra o vírus da Covid-19. É esperado que, diante da nossa esqualidez, uma vez que os Estados Unidos tenham atingido a imunidade de rebanho, eles deem atenção ao que ocorre no seu quintal, a América Latina. Seríamos salvos pela Sétima Cavalaria a partir de julho.

A cepa P.1, no entanto, que surgiu em Manaus e agora devasta o Brasil, precisa antecipar a entrada dos Estados Unidos em campo. Já é consenso que, se a propagação do vírus não for contida logo por aqui, cepas mais virulentas poderão se desenvolver, colocando em xeque a efetividade das vacinas já existentes.

A Organização Mundial da Saúde não poderia ter sido mais clara ao expressar a sua preocupação com o Brasil. O governo americano também. Os jornais The Washington Post e The New York Times mostraram, por meio de editoriais e reportagens, a apreensão dos Estados Unidos. O infectologista Anthony Fauci, que guia a Casa Branca na política de combate à Covid-19, disse que os americanos poderiam nos ajudar.

A segurança sanitária do mundo agora depende principalmente do Brasil. Já deveria estar claro para os Estados Unidos e demais países desenvolvidos que somos comandados por gente assustadoramente estúpida e inepta nos diferentes níveis governamentais — em especial no federal, que tem à frente um sociopata que não esconde o seu desprezo pelos cidadãos. Jair Bolsonaro revelou definitivamente às demais nações o que nos tornamos ou o que sempre fomos, salvo por momentos excepcionais: uma terra incivilizada, feroz e com forte perturbação psicossocial (leia aqui artigo publicado na Crusoé, aberto para não assinantes). Isso deixa de ser uma questão apenas nossa quando passamos a ser um criadouro de cepas de vírus ainda mais perigosos e, consequentemente, uma ameaça ao planeta.

Mais virulenta do que todas as outras que surgiram recentemente, a cepa P.1 deve ser enfrentada como um problema internacional. Está matando descontroladamente no Brasil, o seu berço, e o fará nos países vizinhos e nos demais continentes, em seguida. É preciso que haja uma intervenção sanitária no Brasil da parte dos Estados Unidos — essa intervenção seria uma remessa de vacinas tão grande que não permitisse ao governo brasileiro tergiversar. Não se pode esperar que os americanos acabem de imunizar a sua população, para então ajudar a vacinar os brasileiros. A própria imunização deles está em risco a médio prazo. Isolar o Brasil não adiantará, já que vírus não conhecem fronteiras. Somos um problema para todos e ele não será resolvido pelos políticos brasileiros. Na semana passada, o chanceler Ernesto Araújo teve o desplante de dizer que a situação estava sob controle e que o sistema de saúde brasileiro vinha suportando bem o recrudescimento dos casos de Covid-19. Para não falar da batatada do spray nasal israelense. São esses tipos que nos governam. Que venha logo a Sétima Cavalaria.

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