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Quem tem Cuba e corrupção tem medo

As manifestações contra a ditadura na ilha e as denúncias de grande corrupção no governo de Jair Bolsonaro não são uma boa notícia para Lula e o PT
Quem tem Cuba e corrupção tem medo
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

Neste momento em que Lula está disparado à frente nas pesquisas eleitorais que projetam o cenário da disputa presidencial de 2022, enquanto o sociopata derrete e ainda não há um candidato viável para os eleitores que gostariam de não ter de tampar o nariz para votar num dos extremos, dois fatos devem preocupar o PT: as  denúncias de corrupção no governo de Jair Bolsonaro e, agora, as manifestações contra a ditadura comunista em Cuba, as maiores em décadas.

A ansiedade no PT para que a revolta dos cubanos seja logo suprimida é grande, imagina-se, a fim de que a coisa não contamine muito a candidatura do amigo do tirano Raúl Castro e de Fidel Castro, que partiu desta para pior. Foi em dobradinha com os Castro, pelos quais nutre admiração interessada, como mostra o caso do financiamento do Porto de Mariel (em dezembro de 2020, Cuba ainda devia 455 milhões de dólares ao BNDES), que Lula ajudou a transformar a Venezuela na sucursal do inferno que é hoje.

As alianças com notórios crápulas internacionais nunca tiveram repercussão eleitoral de monta contra ou a favor do PT, mas talvez agora seja diferente. É inevitável que o chefão do partido se sinta obrigado a emitir uma opinião a respeito das manifestações em Cuba — e a farsa de que ele e seus seguidores são gente de convicção democrata inarredável ficará outra vez evidente. É quase certo, contudo, que os petistas não precisarão perder a ternura: a tecnologia castrista de repressão a opositores é bastante eficiente. Foi herdada pelo preposto de Raúl Castro, o senhor presidente Miguel Díaz-Canel, assim como a máquina de propaganda do regime, que já transformou os manifestantes em massa de manobra dos imperialistas americanos. Para tanto, ela conta com os seus colaboradores na imprensa internacional. Pobre Cuba, tão longe dos Estados Unidos, tão perto do PT.

Quanto às denúncias de corrupção no governo de Jair Bolsonaro, eu já estava me perguntando como é que o PT faria para tocar em tema que expõe tão magnificamente o seu telhado de vidro, agora mal remendado com a fita crepe da anulação das condenações de Lula na Lava Jato pelo STF. Gleisi Hoffmann veio em meu socorro no sábado passado, ao dizer à Folha que, na campanha de Lula, “nossa proposição maior é discutir a vida do povo, como tirar o país dessa crise, melhorar a renda, retomar a soberania nacional. Não nos furtaremos a fazer o debate da corrupção, mas queremos mostrar como esse tema foi utilizado numa estratégia de perseguição política.”

Os petistas desde há muito enganam o eleitorado que se deixa ludibriar, mas era melhor ter pela frente um sociopata apenas com esquemas de rachadinhas do que um sociopata e seus asseclas às voltas com gatunagens milionárias. A roubança em escala estratosférica os iguala diante de um candidato que saiba explorar também a teoria da ferradura criminológica.

Quem tem Cuba e corrupção tem razões para ter medo.

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