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Vamos lular e comprar os pobres

O Auxílio Brasil é o Auxílio Bolsonaro e o Auxílio Centrão. Programa eleitoreiro de um governo que gasta o que não tem para parecer que todos têm
Vamos lular e comprar os pobres
Foto: Adriano Machado/Crusoé

Jair Bolsonaro lulou: quer comprar em espécie os votos dos brasileiros pobres, por meio do assistencialismo mais arcaico travestido de programa social moderno. Não se pode ser contra ajudar miseráveis, mas o governo federal repete o roteiro eleitoreiro de quem o presidente da República colocava como antípoda ideológico. O auxílio emergencial dado na pandemia lhe abriu o apetite para o populismo fiscal.

A se crer no balão de ensaio soltado hoje, o Auxílio Brasil é, principalmente, o Auxílio Bolsonaro e o Auxílio Centrão. Vão pedalar os precatórios, dando um calote de 90 bilhões de reais em credores do governo, para tentar garantir mais quatro anos para o presidente e a sua corte fisiológica no poder. Esqueça qualquer porta de saída do substituto do Bolsa Família. Trololó. A porta é como o teto de gastos nesta palhoça chamada Brasil: de fantasia.

O bolsonarismo também quer repetir o lulismo no endividamento amplo, geral e irrestrito dos pobres. Os Rasputins tiraram do chapéu alheio que uma parte do auxílio poderá ser utilizado para saldar dívidas. Ou seja, se a estrovenga sair mesmo do papel, uma massa de iludidos correrá para gente que pratica esse tipo de agiotagem com pobres, assim como correu para o crédito consignado quando Lula era presidente.

Enquanto o governo abre as burras e faz todo mundo de burro, a economia segue no seu curso de impávido fracasso. Como noticiamos, o Boletim Focus manteve a projeção de crescimento do produto interno bruto em 5,30%, para 2021, e diminuiu a do ano que vem, de 2,10% para 2,05%. É um crescimento impagável em mais de um sentido: não compensa o que perdemos e será baseado especialmente em crédito para consumo, com o endividamento dos cidadãos.

Em 22 de junho, quando ainda havia gente na Faria Lima que projetava um crescimento bem maior no ano que vem, escrevi o seguinte:

“Em 2015 e 2016, o PIB diminuiu 3,5% e 3,3%, respectivamente. Em 2017 e 2018, aumentou 1,1%; em 2019, cresceu 1,4%. Já em 2020, o tombo foi de 4,1%.

O Brasil redemocratizado nunca foi muito bom nessa história de crescimento, quando comparado a outros países emergentes. A média do governo Lula foi de 4% ao ano; a do governo FHC, 2,4%. A eventual retomada da economia é bem-vinda, mas é improvável que faça muita diferença na percepção do povão. Feitas as contas, se o PIB crescer 3,5% em 2021 e 6% em 2022, isso representará um acréscimo de riqueza de 155 bilhões de dólares em relação a 2015. Ou seja, um aumento de renda per capita de pouco mais de 700 dólares em 7 anos. É menos do que medíocre. É ridículo.”

O ridículo será ainda maior, de acordo com a projeção do Boletim Focus, e continuaremos pagando caro por ele, com um governo que gasta o que não tem para parecer que milhões de pobres têm alguma coisa, sob a roupagem de auxílio isso e auxílio aquilo. O dado tragicômico é que Lula — na hipótese cada vez mais provável de ser eleito em 2022, visto que não apareceu uma terceira via e a falta de empatia com seres humanos jamais conferirá a Bolsonaro a imagem de “pai dos pobres” poderá chamar o Auxílio Brasil de seu, da mesma forma que fez com os programas sociais criados por FHC. E com um valor bem maior do que o do Bolsa Família.

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