O Big Brother Brasil e as ilusões perdidas

O Antagonista resolveu acompanhar de uma distância segura os preparativos para o Big Brother Brasil 2015. De fato, a versão nacional do programa criado por produtores holandeses deverá ser outra vez imbatível em matéria de vulgaridade, quando comparada às dos demais países — e olhe que a concorrência é dura.
Seria redundante, contudo, malhar o BBB nesses termos. O Antagonista gostaria de chamar a atenção para outro ponto. No BBB, homens e mulheres despem-se mais do que de roupas. Despem-se de todas as ilusões que pensadores utópicos nutriram sobre a grandeza da espécie. Ilusões que aventureiros totalitários sempre se dispuseram a explorar, utilizando-as como manto.
Seres humanos são mesquinhos, egoístas, invejosos, mentirosos, trapaceadores e violentos. Somos macacos com uma distorção de caráter inscrita nos genes. A nossa luta interior, que se projeta no processo civilizatório, é para abafar os instintos mais arraigados. Assim, o BBB é uma vitrine — exacerbada pelo formato da atração e pelas circunstâncias brasileiras — de perturbações que nos são inerentes em quaisquer latitudes.