O Piscinão de Ramos e o povo brasileiro

Inaugurado em 2001, o Piscinão de Ramos era um oásis de água e areia limpas numa das partes mais imundas da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. Era a Ipanema do subúrbio carioca, que não exigia horas dentro de um ou mais ônibus e na qual não havia os constrangimentos de ser um alienígena perdido na Zona Sul.
De lá para cá, tudo piorou —  em Ramos e na Zona Sul. Só que, como era previsível, ainda mais em Ramos. O Piscinão, que foi até batizado de “parque ambiental”, tornou-se tão sujo quanto a baía adjacente. A água é pútrida e a areia, cheia de lixo e excrementos humanos. Assim como os ricos da Zona Sul fingem não tomar banho de mar num viveiro de coliformes fecais, os suburbanos de Ramos continuam a frequentar o Piscinão que virou latrina. Sem reclamar, rebelar-se, exigir mudança.
Que povo é esse? Esse é o povo brasileiro.


Piscinão de Ramos, o “parque ambiental” que virou latrina